O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) divergiu, nesta segunda-feira (18/5), de setores do empresariado na pauta que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1 e destacou os avanços tecnológicos como argumentos favoráveis à redução da carga horária do trabalhador.
“À medida que a tecnologia permite você fazer mais com menos gente, com o uso de tecnologia, eu produzo mais com menos pessoas. É uma tendência mundial você ter uma jornada menor”, discursou o vice-presidente, em conversa com jornalistas, após sua participação no Apas Show, cerimônia da Associação Paulista de Supermercados. "O presidente Lula encaminhou a proposta ao Congresso Nacional. Cabe agora ao Congresso Nacional discuti-la e votá-la", emendou.
Entidade que representa o evento em que Alckmin participou, a Apas é uma das principais vozes contrárias à ideia de acabar com o fim da escala 6x1 de forma isolada. Seu presidente, Erlon Ortega, defendeu a necessidade de “modernizar a discussão” do fim da 6x1 para abranger os anseios dos trabalhadores da área de supermercados, que, segundo ele, querem ter maior flexibilidade em relação ao ofício.
“Horista ou diarista, que o trabalhador possa escolher. O trabalhador está informal porque não quer um modelo engessado”, pontuou Ortega. Além dele, a defesa por uma maior discussão foi feita por João Galassi, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Para o empresário, uma possível redução da carga horária de trabalho deve ser feita de forma escalonada.
Debates na Câmara
Na Câmara Federal, dois textos tramitam sobre o fim da escala 6x1. Um é a proposta de emenda à Constituição (PEC) — de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) — , que promove mudanças constitucionais, e o outro é um projeto de lei (PL), enviado pelo Executivo em regime de urgência.
Na semana passada, o governo e a Câmara fecharam acordo para votar os projetos ainda neste mês. Em termos concretos, no entanto, o fim da 6x1 e a implementação de jornada que profissionais trabalhem até 40h semanais têm avançado por meio do texto que prevê a mudança constitucional.
Isso porque, segundo o relator da comissão que analisa da PEC, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), a primeira versão do relatório sobre a PEC que prevê o fim da 6x1 será apresentada nesta quarta-feira (20).
