ESCALA 6X1

PEC do fim da escala 6x1 deve ter "votação expressiva", diz Alencar

Presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP) afirma que proposta tem apoio popular e vê dificuldade para aprovação de emendas que ampliem transição da mudança

Segundo o parlamentar, o amplo apoio popular ao tema deve pesar no posicionamento dos deputados durante a votação. -  (crédito: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados)
Segundo o parlamentar, o amplo apoio popular ao tema deve pesar no posicionamento dos deputados durante a votação. - (crédito: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados)

A semana será decisiva para a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao Correio nesta segunda-feira (18/5), o presidente da comissão especial que analisa a matéria, Alencar Santana (PT-SP), afirmou acreditar em uma aprovação “expressiva” da proposta e avaliou que há um ambiente favorável ao texto dentro do colegiado. A expectativa é que a primeira versão do texto seja apresentada e votada na próxima quarta-feira (20). 

Segundo o parlamentar, a pressão popular ao tema deve pesar no posicionamento dos deputados durante a votação. “Mesmo quem tem dúvidas ou é contrário pode não ter coragem de votar contra a vontade popular. Creio que teremos uma votação expressiva”, enfatizou.

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Para Alencar Santana, propostas que ampliem excessivamente o prazo de transição enfrentam resistência dentro da comissão. O deputado citou emendas apresentadas por parlamentares ligados ao campo bolsonarista que sugerem um prazo de até 10 anos para implementação das novas regras.

“Não vejo clima para aprovar emendas que adiem tanto a implementação da escala. [...] Existe uma expectativa muito grande da população, e postergar isso seria decepcionar o povo”, declarou.

O presidente da comissão também reforçou que o governo federal mantém posição favorável tanto ao fim da escala 6x1 quanto à redução da jornada de trabalho sem corte salarial. Segundo ele, a orientação do Palácio do Planalto foi reiterada durante as audiências públicas realizadas pelo colegiado.

“O governo já deixou clara sua posição ao encaminhar a proposta para a Câmara. O compromisso é com a redução da jornada, sem redução salarial e sem transição prolongada”, afirmou.

Apesar do cenário considerado favorável pela base governista, a oposição promete obstrução e deve utilizar instrumentos regimentais para retardar a tramitação. Alencar reconheceu que a votação final da comissão pode acabar ficando para a próxima semana.

“A oposição provavelmente vai pedir vista. É um direito regimental e isso pode empurrar a votação para a semana que vem”, disse.

Durante a entrevista, o parlamentar também rejeitou a ideia de que a proposta trate apenas de uma pauta trabalhista. Para ele, a discussão envolve qualidade de vida e saúde dos trabalhadores.

“O trabalhador brasileiro está exausto, adoecido mental e fisicamente. A discussão não é apenas sobre jornada, mas sobre dignidade, convivência familiar e qualidade de vida.”

Articulação

Nos bastidores, surgiram especulações de que a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) poderia assumir protagonismo na relatoria da proposta. Questionado sobre o tema, Alencar Santana disse que qualquer definição cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em articulação com o governo federal.

“Essa é uma decisão do presidente Hugo Motta e do governo. Não cabe a mim nem ao relator decidir isso”, afirmou.

Para acelerar a tramitação, o presidente da Câmara convocou sessões extras do plenário, que servem de referência para os prazos de apresentação de emendas na comissão.

Ao Correio, o relator da proposta, Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que ainda trabalha na construção da primeira versão do parecer que será apresentado ao Motta. E que ambos se reunirão ainda nesta semana para alinhar os últimos pontos do texto. 

 

Nos bastidores, o principal impasse segue sendo a regra de transição para implementação da mudança. Setores empresariais defendem uma adaptação gradual e mais longa, enquanto integrantes da base governista pressionam por aplicação imediata ou por uma redução escalonada mais curta.

 

 

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postado em 18/05/2026 11:55 / atualizado em 18/05/2026 12:00
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