Florianópolis — A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e a Associação Empresarial de Florianópolis (Acif) criticam a condução dos debates sobre a redução da chamada “taxa das blusinhas” e a possível alteração da escala 6x1 em ano eleitoral. Para as entidades, as medidas podem enfraquecer a competitividade do empresariado nacional, pressionar custos e refletir no preço final ao consumidor.
Representando as mais de 2,3 mil associações comerciais reunidas na CACB, o presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto, conversou com o Correio nesta terça-feira (19/5). Para ele, a discussão sobre a escala 6x1 e a redução das taxas para compras de até U$ 50 não deveria ocorrer sob influência do calendário político. “Primeiramente, ninguém discute a validade de um debate. O que não se deve permitir é discutir esse tema em um ano eleitoral, pois o trabalho não é um tema meramente político, ele é essencial para a formação da renda das pessoas”, declarou.
Na avaliação de Cotait Neto, setores como varejo, restaurantes e serviços contínuos enfrentariam maior dificuldade para absorver mudanças sem impacto financeiro. “A escala 6x1 é característica de atividades de varejo, serviços contínuos e restaurantes, que precisam funcionar quase todos os dias. Não há como mudar essa escala e transferir o custo para o empregador”, afirmou. Segundo ele, o efeito imediato poderia ser inflacionário, com repasse de custos ao consumidor. “O consumidor final será o maior prejudicado”, frisou.
O presidente da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), Célio Antônio Bernardi Junior, disse por sua vez que o tema já mobiliza milhares de associados da entidade. “Temos mais de 5.500 empresários que são atingidos diretamente por uma mudança como essa”, afirmou. Para ele, qualquer alteração exige um debate mais aprofundado sobre os impactos econômicos.
Segundo o dirigente, empresas já começam a revisar custos e estruturas operacionais diante da possibilidade de mudança. “Estamos trabalhando individualmente com os empresários, pois cada um precisará analisar sua própria realidade”, acrescentou.
“Taxa das blusinhas”
Dados da CACB apontam que o setor de vestuário e acessórios é um dos mais expostos à concorrência internacional, concentrando parte relevante dos pequenos negócios do país. A entidade informa que o faturamento das micro e pequenas empresas de moda caiu 15,9% em março de 2026, enquanto estudo citado pela confederação estima que a vigência da taxação teria preservado 135 mil empregos e mantido R$ 20 bilhões na economia brasileira.
Na avaliação da Acif, a questão central também passa pela competitividade. “Nenhum empresário busca benefícios, o que esperamos é isonomia, pois estamos tratando de competitividade”, afirmou Célio Bernardi Junior. “Quando o governo toma medidas que podem prejudicar o empresariado local, não vemos isso com bons olhos”, disse.
*O repórter viajo a convite da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif)
