A menos de um dia do início da Copa do Mundo de 2026, o varejo brasileiro projeta um cenário mais favorável para o consumo em comparação ao Mundial do Catar, disputado em 2022. Com inflação mais moderada e mercado de trabalho aquecido, produtos tradicionalmente associados às reuniões para assistir aos jogos tiveram reajustes mais contidos, enquanto alguns itens chegaram a ficar mais baratos.
Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que o chamado “kit Copa” acumulou alta de 3,1% até abril deste ano. No mesmo período que antecedeu a Copa de 2022, o avanço dos preços havia sido de 12,54%.
Entre os produtos mais consumidos durante as transmissões das partidas, a cesta do churrasco apresentou aumentos concentrados principalmente na cebola, nos temperos mistos e nas carnes. Ainda assim, a pressão foi bem menor do que a observada há quatro anos, quando a cebola acumulava inflação de 151,76%, e a maionese registrava alta de 30,64%.
As bebidas também ficaram mais caras. Cervejas e refrigerantes tiveram reajustes superiores a 5%, acompanhando a tendência de aumento observada em outros itens de consumo frequente durante os jogos. Por outro lado, produtos importantes para as confraternizações dos torcedores ajudaram a reduzir a inflação média da cesta. Alho, tomate, aves e ovos apresentaram queda de preços, chegando a recuos de até 26%.
Televisores mais baratos impulsionam vendas
O ambiente econômico também favorece o segmento de eletroeletrônicos, tradicionalmente beneficiado em períodos de Copa do Mundo. Até abril, os televisores acumularam queda de 2,93% nos preços, enquanto os aparelhos de som ficaram 0,46% mais baratos.
O reflexo já aparece nas vendas. Nos primeiros meses de 2026, o setor registrou crescimento de 7%, com destaque para os televisores de 75 polegadas ou mais, cuja demanda avançou 94%.
Além das TVs, produtos complementares como soundbars, cabos HDMI, suportes de parede, estabilizadores, racks e poltronas também vêm registrando aumento na procura. O mesmo ocorre com vestuário esportivo e itens de decoração temática voltados para o torneio.
Assistir aos jogos em bares pode pesar mais no bolso
Se assistir às partidas em casa ficou relativamente mais acessível, acompanhar os jogos em bares e restaurantes pode exigir um gasto maior dos consumidores. Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) indicam que, no período analisado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acumulou alta de 3,84%, enquanto os preços cobrados por restaurantes avançaram 7,28%.
Apesar do impacto nos custos, o setor de alimentação fora do lar mantém expectativas positivas para o Mundial. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mais da metade dos estabelecimentos pretende transmitir os jogos da competição.
Entre os empresários que vão exibir as partidas, 80% esperam aumento no faturamento durante o torneio. Além disso, 57% afirmam ter preparado estratégias para ampliar as vendas, incluindo decoração temática, promoções de petiscos e ações especiais para atrair torcedores.
