Comemorações

Festas juninas devem movimentar R$ 7 bilhões no país em 2026

Eventos fazem a alegria da população e impulsionam uma ampla cadeia econômica, que vai da agricultura ao setor de serviços e de turismo

As festas de Santo Antônio, São João e São Pedro devem movimentar mais de R$ 7 bilhões neste mês. Elas impulsionam não apenas os eventos tradicionais, mas uma ampla cadeia econômica, que envolve agricultura, indústria, transporte, supermercados, turismo, hotelaria, restaurantes e serviços.

A festividade tem peso maior em determinadas regiões. No Nordeste, por exemplo, o período junino chega a superar economicamente outras datas comemorativas em algumas cidades, devido ao volume de consumo, geração de empregos e atração de turistas.

Para Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o varejo acompanha o mês de junho como uma das épocas mais importantes do ano para a comercialização de alimentos.

"As vendas de produtos típicos disparam, mas o mais interessante é que a festa junina não vende apenas canjica e paçoca. Ela aumenta a venda de refrigerantes, carnes, doces, descartáveis, bebidas e itens para receber visitas. O consumidor entra pensando em uma receita e acaba montando uma experiência completa", afirma Tonegutti, diretor da Mix Fiscal, empresa especializada em inteligência tributária para o varejo.

Segundo ele, o impacto econômico da festa ultrapassa a mesa do consumidor e chega a diferentes setores. A movimentação beneficia desde pequenos produtores e comerciantes até trabalhadores ligados diretamente à organização dos eventos.

"O supermercado acompanha isso de perto. A costureira que faz roupas temáticas, o produtor de milho e amendoim, a doceira que vende bolo de milho e pamonha, o artesão, o ambulante, o músico, o decorador e o pequeno comerciante. Quando olhamos para os bilhões movimentados, é importante lembrar que esse dinheiro se espalha por milhares de pequenos empreendedores", destaca.

O principal ingrediente das festas juninas chega ao período com cenário favorável. O Brasil está colhendo uma das maiores safras de milho da história, o que garante uma oferta confortável para atender à demanda desta época.

Apesar disso, alguns ingredientes das receitas típicas podem pesar mais. De acordo com Tonegutti, produtos como leite condensado, derivados lácteos, ovos, coco ralado e amendoim costumam sofrer maior pressão porque a procura aumenta em poucas semanas. "O consumidor deve ficar atento, principalmente, aos ingredientes complementares das receitas", explica.

Carestia

Uma análise da Neogrid, com dados coletados em supermercados, hipermercados e atacarejos brasileiros, aponta que montar a mesa junina em 2026 deve custar mais do que no ano anterior, mas a alta não atingiu todos os produtos.

O maior aumento apareceu nos doces de amendoim. O preço médio por quilo passou a custar de R$ 43,56 para R$ 56,11 em 12 meses, uma alta de 28,8%, influenciada pela valorização do amendoim in natura. O pé de moça também teve avanço significativo, com alta de 13%, chegando a R$ 86,29 por quilo. Já a paçoca subiu 5,2%, e o pé de moleque, 3,6%.

Na contramão, houve itens que apresentaram redução. O doce pingo de leite caiu 15,1%, encerrando maio de 2026 no valor de R$ 65,61 o quilo. A cocada em barra recuou 2,5%, o doce de leite em barra caiu 1,3% e a rapadura permaneceu praticamente estável, com leve queda de 0,2%, mantendo-se entre os itens mais acessíveis, a R$ 24,50 o quilo.

O amendoim aparece como um dos principais responsáveis pelas altas do período. O produto in natura acumulou aumento de 11,9% em um ano, refletindo fatores climáticos e a elevação da demanda.

A pipoca de micro-ondas também registrou alta, de 12,1%, chegando a R$ 48,31 o quilo. Já o milho para pipoca teve pouca variação, com aumento de 0,8%, mantendo-se como uma das opções mais econômicas das festas, custando R$ 11,57 por quilo. O milho verde fresco ficou 6,7% mais caro, enquanto o milho em conserva praticamente não sofreu alteração, com queda de 0,02%.

Bebidas

Para quem prepara quentão e vinho quente, os principais ingredientes tiveram comportamento mais estável. Os vinhos apresentaram redução de preços. O fino nacional caiu 3,8%, passando de R$ 48,42 para R$ 46,59. O vinho importado recuou 3,9%, chegando a R$ 59,30.

Já as cachaças tiveram pouca alteração. A branca subiu 1,1% e permaneceu como a opção mais barata da categoria, a R$ 17,10. A amarela caiu 0,7%, enquanto a artesanal teve alta de apenas 0,3%, chegando a R$ 72,09.

Entre as especiarias, os preços ficaram mais equilibrados. A canela subiu 0,3%, o cravo-da-índia caiu 0,1% e a noz-moscada recuou 2,3%. O gengibre foi uma exceção, com alta de 12,9%, chegando a R$ 303,71 por quilo, o que pode impactar receitas de quentão que utilizam maior quantidade do ingrediente.

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