O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia para 14,25% ao ano durante a 279ª reunião realizada nos dias 16 e 17 de junho. Na ata divulgada nesta terça-feira (23/6), o Copom destacou que o ambiente externo continua adverso, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e das incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o Banco Central avaliou que a economia brasileira apresentou aceleração no 1º trimestre de 2026 em comparação com o fim do ano passado. O mercado de trabalho também segue aquecido, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos rendimentos reais da população.
Apesar da atividade econômica resiliente, a inflação continua sendo o principal ponto de preocupação. O Copom observou que os índices de preços aceleraram recentemente, impulsionados principalmente pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e outras commodities. A inflação acumulada ultrapassou o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Segundo o relatório Focus utilizado pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 5,30% em 2026 e de 4,10% em 2027, patamares acima do centro da meta. O comitê destacou ainda uma piora nas projeções de inflação para 2028.
Outro ponto enfatizado na ata foi a necessidade de alinhamento entre a política monetária e a política fiscal. O Copom alertou que a falta de disciplina nas contas públicas, o enfraquecimento das reformas estruturais e as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública podem elevar o chamado juro neutro da economia, dificultando o controle da inflação.
A decisão foi aprovada pelos sete integrantes do Copom, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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