
A Polícia Federal afirmou que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, adotou um modelo operacional semelhante ao utilizado pelo Banco Master, instituição que se tornou alvo de uma das maiores crises financeiras recentes do país. A conclusão consta da representação que embasou a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23/6), para apurar suspeitas de fraude financeira e manipulação de demonstrativos contábeis.
Ao todo, a PF cumpre nove mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao Digimais. Embora Edir Macedo não tenha sido alvo das buscas por residir no exterior, a Justiça autorizou a quebra de seus sigilos e determinou o bloqueio de bens. Segundo os investigadores, a instituição teria alterado registros regulatórios e contábeis para ocultar a real situação financeira do banco e transmitir uma falsa aparência de solvência aos órgãos de fiscalização.
No documento enviado à Justiça, a corporação afirma que o Digimais “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”. De acordo com a investigação, o banco teria seguido o mesmo modelo de captação agressiva de recursos, baseado na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), com taxas de rentabilidade muito acima das praticadas pelo mercado para atrair investidores.
A representação da PF sustenta que essa estratégia se apoiava na expectativa de cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado para proteger depositantes em caso de quebra de instituições financeiras. Para os investigadores, a gestão do banco teria utilizado a garantia coletiva para ampliar a liquidez, esconder passivos e transferir os riscos da operação para o sistema financeiro.
A Polícia Federal afirma ainda que o caso do Banco Master serviu como paradigma para outras instituições e resume o “modus operandi atualmente sob investigação no Banco Digimais”. Segundo o documento, a diretoria da instituição aproveitou a confiança dos depositantes no sistema de proteção para superavaliar ativos por meio da emissão de títulos com remuneração desproporcional aos indicadores de mercado e manipular balanços para esconder a deterioração da carteira de crédito.
Os investigadores também apontam conexões entre as duas instituições. Em janeiro de 2025, o ex-sócio e executivo do Banco Master Maurício Antonio Quadrado tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Além disso, o Digimais mantinha cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Master. Para a PF, a manutenção desses ativos de “origem duvidosa”, somada à captação agressiva de recursos, reforça indícios de gestão temerária ou fraudulenta.

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