Perspectivas

Indústria entra na pauta dos pré-candidatos e cobra avanços no Brasil

CNI entrega aos presidenciáveis propostas defendidas pelo setor para os próximos anos e defende ‘Plano Safra’ para os industriais

O presidente da CNI, Ricardo Alban, discursa no encontro com os pré-candidatos à Presidência: setor defende reforço na política industrial   -  (crédito: Iano Andrade/CNI)
O presidente da CNI, Ricardo Alban, discursa no encontro com os pré-candidatos à Presidência: setor defende reforço na política industrial - (crédito: Iano Andrade/CNI)

Atrás da agropecuária e dos serviços em termos de participação na economia brasileira, a indústria convive com uma estagnação de produtividade e de empregos, como mencionado por próprios representantes do setor durante evento, nesta segunda-feira (22/6), em Brasília. O encontro serviu para apresentar as pautas dos industriais para os próximos anos. Com o título Construindo o Brasil 2050: A Indústria na agenda dos presidenciáveis, o evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu três pré-candidatos à presidência da República: Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

No documento entregue aos presidenciáveis, a CNI reconhece o avanço na agenda industrial com o programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado em 2024, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do então ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. No entanto, a entidade acredita que o programa por si só não foi suficiente para alavancar a produtividade da indústria.

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"A nova política industrial precisa do respaldo institucional conferido aos planos de outros setores. O agronegócio brasileiro, por exemplo, é hoje uma potência global porque conta há décadas com amparo legal estável, governança e estratégias previsíveis", destacou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade menciona programas voltados para outros setores da economia, como o Plano Safra – que desde 2003 tem sido um sucesso para o agronegócio –, para defender um projeto que impulsione concretamente o setor. 

Mesmo com o aumento do número de empregos nos últimos anos, a confederação avalia que esse crescimento foi sustentado por cargos de menor remuneração. Além disso, ela alerta para o problema da desindustrialização, que teve início ainda na década de 1980 e que mantém o setor estagnado em relação a outros países emergentes. A indústria de transformação respondia por 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 1985 e hoje representa apenas 13,7% da economia geral. 

No documento apresentado aos pré-candidatos, a entidade defende que o desestímulo à economia é um dos principais responsáveis pelo atraso no avanço da atividade econômica em relação a outros países emergentes. De 2000 a 2024, o crescimento médio anual do PIB brasileiro foi de apenas 2,3%, enquanto que outras nações como Índia (6,3%), Turquia (4,9%), Indonésia (4,9%), Malásia (4,5%) e Coreia do Sul (3,5%) tiveram resultados bem mais expressivos no mesmo período. 

De acordo com a CNI, a cada R$ 1 investido na indústria de transformação, R$ 2,69 retornam para a economia, o que representa um retorno mais expressivo se comparado à agropecuária (R$ 1,71) e aos serviços (R$ 1,52). Mesmo assim, a maior parcela dos produtos manufaturados é importada. Em 2025, as exportações de manufaturados responderam por 28% do total das exportações brasileiras, enquanto que as importações representaram 85% de todos os produtos adquiridos pelo país, o que fez com que o deficit transacional nesse segmento chegasse a US$ 149 bilhões.

O presidente da CNI acredita que o maior desafio para a indústria brasileira é crescer de forma rápida e sustentável e que a política fiscal deve andar lado a lado com a política macroeconômica. Ele recorda o nível elevado da taxa básica de juros, que atualmente está em 14,25% ao ano, e é um dos principais freios para o crescimento da atividade econômica. "O estado precisa garantir um ambiente de negócios pautados pela estabilidade das regras e por agências reguladoras fortalecidas e independentes que assegurem o bom funcionamento dos mercados", acrescentou o presidente da confederação.

Pontos principais

O documento elaborado pela CNI e que foi entregue na tarde de ontem aos presidenciáveis enumera três pilares fundamentais para o setor nos próximos anos: a defesa da macroeconomia para o crescimento sustentável, garantir políticas viáveis para o desenvolvimento produtivo, além de reduzir o Custo Brasil e melhorar o ambiente de negócios. Além disso, estabelece oito compromissos a serem adotados pelo próximo presidente da República que, segundo a entidade, representam "escolhas estratégicas" para mudar a trajetória do país.

A agenda da CNI ainda separa um trecho para a transição energética — tema que a entidade acredita que o Brasil possui todas as condições para ser protagonista nos próximos anos. Entre os temas que a confederação pede prioridade, está a adoção do marco regulatório de hidrelétricas reversíveis, além da Política Nacional de Economia Circular pela força da lei. "Podemos consolidar o Brasil verde digital, convertendo os nossos diferenciais com a matriz energética limpa e a maior biodiversidade do planeta em vantagens competitivas reais", completa o executivo.

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postado em 23/06/2026 03:56 / atualizado em 23/06/2026 05:07
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