Sobretaxa

Entidades empresariais pedem acordo para evitar tarifas dos EUA

Amcham, CNI e Câmara de Comércio dos EUA enviaram carta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos defendendo uma solução negociada

Governo Trump anunciou a imposição de nova taxa de 12,5% contra produtos brasileiros após investigação que mirou o Pix -  (crédito: AFP)
Governo Trump anunciou a imposição de nova taxa de 12,5% contra produtos brasileiros após investigação que mirou o Pix - (crédito: AFP)

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram, nesta quinta-feira (9/7), uma carta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos defendendo a construção de um acordo de curto prazo para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros no âmbito da investigação da Seção 301 conduzida pelo governo norte-americano.

No documento, as entidades afirmam que uma solução negociada é o caminho mais eficaz para preservar a competitividade e ampliar as oportunidades econômicas entre os dois países, além de evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores. A proposta também prevê que o entendimento sirva como ponto de partida para uma agenda mais ampla de cooperação econômica bilateral.

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Como prioridade imediata, as entidades sugerem que as negociações avancem sobre a ampliação do acesso a mercados para determinados produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital e itens voltados à segurança energética, à infraestrutura de inteligência artificial e ao desenvolvimento de data centers.

A carta também propõe aprofundar a cooperação regulatória em setores como automotivo, produtos para saúde e equipamentos médicos.

Entre as medidas defendidas estão ainda a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a não incidência de tarifas em transmissões eletrônicas, a aceleração da análise de pedidos de patentes no Brasil — especialmente nas áreas de saúde e biofarmacêutica — o fortalecimento do combate à pirataria e à contrafação, além do avanço da cooperação em minerais críticos e da implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo sobre Comércio e Cooperação Econômica (ATEC).

Em uma segunda etapa, a proposta amplia a agenda para áreas como resiliência das cadeias produtivas, segurança energética, economia digital, comércio eletrônico, inovação, descarbonização industrial, transportes, agricultura, produtos farmacêuticos e equipamentos médicos.

"Esforço concentrado"

A carta foi encaminhada, no Brasil, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, o documento foi enviado ao representante comercial norte-americano (USTR), Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.

"Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral", afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Segundo as três entidades, que representam milhares de empresas brasileiras e norte-americanas, o objetivo é fortalecer a parceria econômica entre os dois países por meio do diálogo, da negociação e da cooperação entre os setores público e privado.

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postado em 09/07/2026 19:47
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