Relações Exteriores

Planalto vê "protecionismo" dos EUA e culpa Flávio por tarifas

Governo vê uso de dados defasados pelos Estados Unidos como estratégia para justificar tarifaço. Ida de Flávio Bolsonaro ao país também é vista como elemento central

Para interlocutores do governo, viagem de Flávio aos EUA contribuiu para a sugestão de medidas contra o Brasil, incluindo tarifa extra de 12,5% -  (crédito: Redes Sociais)
Para interlocutores do governo, viagem de Flávio aos EUA contribuiu para a sugestão de medidas contra o Brasil, incluindo tarifa extra de 12,5% - (crédito: Redes Sociais)

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o governo dos Estados Unidos recorreu a informações antigas e já conhecidas para sustentar a investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Na leitura de interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estratégia busca criar um ambiente favorável à adoção de medidas tarifárias e ampliar o poder de barganha de Washington nas negociações bilaterais. Eles atribuem a medida ainda à viagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que antecedeu o anúncio das sanções.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio, a percepção dentro do governo é de que o relatório apresentado pelos norte-americanos reúne, em grande parte, reclamações históricas de setores empresariais dos EUA, sem trazer elementos novos que justifiquem uma escalada nas medidas comerciais contra o Brasil.

Nas coxias, auxiliares do presidente afirmam que a ofensiva faz parte da política protecionista adotada pela gestão de Donald Trump, e tem como objetivo pressionar parceiros comerciais por meio da ameaça de novas tarifas. A avaliação é de que o documento busca conferir respaldo técnico a uma decisão que já estaria, em grande medida, definida politicamente.

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Nas hostes palacianas, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de que o desfecho da investigação, inicialmente previsto para 15 de julho, seja antecipado. A expectativa é de que Washington possa anunciar as medidas antes da data inicialmente estimada, a depender da evolução das negociações em curso.

Apesar do diagnóstico de endurecimento da posição norte-americana, o governo brasileiro mantém a estratégia de privilegiar a via diplomática. A orientação, segundo fontes do Executivo, é evitar uma escalada retórica enquanto equipes técnicas e diplomáticas seguem tentando demonstrar que as acusações apresentadas pelos EUA não refletem a realidade da relação comercial entre os dois países.

Possíveis medidas de reciprocidade

Nos poscênios, integrantes do governo também sustentam que o Brasil continuará defendendo seus interesses nos fóruns internacionais e estudando eventuais medidas de reciprocidade caso as tarifas sejam efetivamente implementadas, sem abandonar a tentativa de construir uma solução negociada para o impasse.

Membros da gestão petista repisam que “a família Bolsonaro é responsável” pelas taxações contra o Brasil. Eles citam a reunião de Flávio Bolsonaro com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com Trump, que foi seguida da nova taxação.
As novas tarifas foram anunciadas após a ida do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. Na ocasião, também defendeu que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem classificadas pelos EUA como organizações terroristas designadas.

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AH
postado em 09/07/2026 18:59
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