
Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o governo dos Estados Unidos recorreu a informações antigas e já conhecidas para sustentar a investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Na leitura de interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estratégia busca criar um ambiente favorável à adoção de medidas tarifárias e ampliar o poder de barganha de Washington nas negociações bilaterais. Eles atribuem a medida ainda à viagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que antecedeu o anúncio das sanções.
Segundo fontes ouvidas pelo Correio, a percepção dentro do governo é de que o relatório apresentado pelos norte-americanos reúne, em grande parte, reclamações históricas de setores empresariais dos EUA, sem trazer elementos novos que justifiquem uma escalada nas medidas comerciais contra o Brasil.
Nas coxias, auxiliares do presidente afirmam que a ofensiva faz parte da política protecionista adotada pela gestão de Donald Trump, e tem como objetivo pressionar parceiros comerciais por meio da ameaça de novas tarifas. A avaliação é de que o documento busca conferir respaldo técnico a uma decisão que já estaria, em grande medida, definida politicamente.
Nas hostes palacianas, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de que o desfecho da investigação, inicialmente previsto para 15 de julho, seja antecipado. A expectativa é de que Washington possa anunciar as medidas antes da data inicialmente estimada, a depender da evolução das negociações em curso.
Apesar do diagnóstico de endurecimento da posição norte-americana, o governo brasileiro mantém a estratégia de privilegiar a via diplomática. A orientação, segundo fontes do Executivo, é evitar uma escalada retórica enquanto equipes técnicas e diplomáticas seguem tentando demonstrar que as acusações apresentadas pelos EUA não refletem a realidade da relação comercial entre os dois países.
Possíveis medidas de reciprocidade
Nos poscênios, integrantes do governo também sustentam que o Brasil continuará defendendo seus interesses nos fóruns internacionais e estudando eventuais medidas de reciprocidade caso as tarifas sejam efetivamente implementadas, sem abandonar a tentativa de construir uma solução negociada para o impasse.

Política
Política