
O governo federal deu início, nesta segunda-feira (20/7), a uma rodada de reuniões com representantes dos setores atingidos pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a iniciativa busca mapear os impactos da medida e subsidiar a elaboração de ações de apoio às empresas.
A sobretaxa entra em vigor na quarta-feira (22) e deve alcançar cerca de 3 mil produtos brasileiros, afetando aproximadamente 18% das exportações destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,2 bilhões.
Entre as alternativas em análise estão a ampliação de linhas de crédito e medidas para diversificar os destinos das exportações, com o objetivo de reduzir os efeitos da medida sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Nova tarifa
O governo também acompanha a expectativa de uma nova tarifa de 12,5%, cuja decisão deve ser anunciada na próxima sexta-feira (24). A investigação conduzida pelos Estados Unidos apura supostas falhas na fiscalização de produtos associados ao trabalho forçado. Caso seja confirmada, a sobretaxa total sobre parte das exportações brasileiras poderá chegar a 37,5%.
Nos bastidores, a avaliação é de que as possibilidades de negociação direta com Washington são limitadas no momento. Diante desse cenário, a estratégia do Palácio do Planalto tem sido reforçar o diálogo com o setor produtivo e construir medidas para mitigar os impactos sobre a indústria e o agronegócio.
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Embora mantenha a Lei da Reciprocidade Econômica como alternativa, o governo afirma que sua eventual aplicação dependerá do momento considerado mais adequado. Paralelamente, a ApexBrasil anunciou a destinação de R$ 130 milhões, a partir de agosto, para ações de diversificação de mercados. Segundo a agência, São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto estimado das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras.
Fiscal
A equipe econômica corre para definir uma resposta aos setores, enquanto busca limitar o impacto das medidas sobre as contas públicas. A proposta em construção deve ter um formato mais restrito do que o programa anterior, de R$ 15 bilhões, com prioridade para os segmentos mais expostos ao mercado norte-americano. A avaliação dentro da Fazenda é que o apoio precisa ser direcionado, evitando a adoção de medidas amplas que pressionem ainda mais o orçamento.
As reuniões com representantes dos setores afetados serão usadas para mapear os impactos da tarifa e definir os critérios de acesso ao eventual pacote. A Fazenda também analisa o volume de recursos que poderá ser viabilizado por meio de linhas de financiamento e mecanismos de garantia antes de considerar medidas com efeito direto sobre os gastos públicos ou a arrecadação.

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