Banco Central

Dívida bruta sobe para 81,9% do PIB e atinge maior nível desde 2021

Endividamento do setor público chega a R$ 10,8 trilhões em junho. Deficit primário de R$ 55,3 bilhões supera expectativa do mercado e também é o maior para o mês desde 2021

Dívida bruta é um dos principais indicadores da saúde fiscal do país e mede sua capacidade de pagamento -  (crédito: Daniel Dan/Unsplash)
Dívida bruta é um dos principais indicadores da saúde fiscal do país e mede sua capacidade de pagamento - (crédito: Daniel Dan/Unsplash)

A dívida bruta do setor público consolidado voltou a crescer em junho e alcançou o maior nível em mais de quatro anos, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (31/7) pelo Banco Central (BC). O estoque da dívida passou de R$ 10,622 trilhões em maio para R$ 10,809 trilhões, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 81% registrados no mês anterior.

O indicador atingiu o maior patamar desde abril de 2021, quando correspondia a 82,6% do PIB. O recorde da série histórica permanece em dezembro de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando a dívida bruta chegou a 87,6% do PIB em meio às medidas extraordinárias de estímulo fiscal. Em contrapartida, o menor percentual foi registrado em dezembro de 2013, com 51,5% do PIB.

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Considerada um dos principais indicadores de sustentabilidade das contas públicas, a dívida bruta é acompanhada por investidores e agências internacionais de classificação de risco para avaliar a capacidade de pagamento do país. Quanto maior o endividamento, maior tende a ser a percepção de risco sobre a situação fiscal.

A dívida líquida do setor público, que desconta ativos como as reservas internacionais, também apresentou avanço. O indicador passou de 67,9% do PIB em maio para 68,5% em junho, totalizando R$ 9,034 trilhões.

Deficit primário 

Os números do Banco Central também mostram que o setor público consolidado — composto pelo governo central, Estados, municípios e empresas estatais, com exceção da Petrobras e das grandes instituições financeiras públicas — registrou déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho. 

O resultado representa leve melhora em relação ao deficit de R$ 56,131 bilhões observado em maio, mas ficou acima da expectativa do mercado, cuja mediana das projeções era de um saldo negativo de R$ 49,3 bilhões. Trata-se do maior deficit para um mês de junho desde 2021, quando o resultado negativo alcançou R$ 65,508 bilhões.

Pela metodologia do Banco Central, o governo central — formado por Tesouro Nacional, Banco Central e INSS — respondeu pela maior parte do resultado, com deficit de R$ 47,236 bilhões. Os governos estaduais e municipais registraram saldo negativo conjunto de R$ 6,609 bilhões, enquanto as empresas estatais encerraram o mês com deficit de R$ 1,468 bilhão.

Separadamente, os Estados contabilizaram deficit de R$ 8,189 bilhões, enquanto os municípios apresentaram superavit primário de R$ 1,581 bilhão, amenizando parcialmente o resultado negativo dos governos regionais.

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postado em 31/07/2026 10:51
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