COMPETITIVIDADE

Tarifas dos EUA podem favorecer concorrentes do Brasil, avalia Fiemg

Possível aplicação de sobretaxas a produtos brasileiros importados pelos EUA abriria espaço para que outros países — com impostos menores — ocupem espaço do Brasil, segundo a entidade industrial

As novas tarifas que o governo dos Estados Unidos devem aplicar a produtos brasileiros a partir desta quarta-feira (15/7) podem tirar a competitividade de Brasil e favorecer concorrentes, segundo avalia a  Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Segundo a Fiemg, uma possível aplicação de sobretaxas elevaria os custos de matérias-primas e insumos brasileiros exportados para o abastecimento do indústria norte-americana.

Isso, continua a entidade, fará com que exportadores brasileiros percam espaço para concorrentes de outros países que, diferente do Brasil, não seriam sobretaxados.

O risco de o Brasil ser penalizado com um novo tarifaço dos Estados Unidos a partir de quarta depende de o governo americano acatar a orientação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). 

O órgão apontou que o Brasil deve ser sobretaxado em 25% por, segundo a entidade, adotar práticas prejudiciais ao comércio. O USTR recomendou ainda que o governo do presidente Donald Trump sobretaxe em mais 12% produtos brasileiros sob o argumento de que o Brasil corrobora com países que têm práticas de trabalho forçado.

Negociações

A um dia para a possível aplicação do novo tarifaço, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam não haver sinalizações de que o governo dos EUA pode ignorar a recomendação do USTR quanto às tarifas.

Embora existam entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, as conversas para um eventual recuo do tarifaço não têm avançado.

Apesar de serem passíveis de negociação, pontos colocados pelos EUA como motivos para a sobretaxa de 25% — o funcionamento gratuito do Pix e a taxação brasileira sobre o etanol produzido nos Estados Unidos — não serão colocados à mesa pelo governo brasileiro em possíveis negociações.

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