O governo dos Estados Unidos deve divulgar nesta quarta-feira (15/7) o resultado da investigação comercial que pode ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros. A decisão envolve duas apurações distintas e, se ambas forem confirmadas, a sobretaxa poderá chegar a 37,5% para parte das exportações do Brasil.
Na tentativa de evitar a adoção das medidas, representantes dos governos brasileiro e norte-americano realizaram, na terça-feira (14), a quinta reunião de alto nível desde 7 de maio. Em nota, o Palácio do Planalto informou que voltou a classificar as propostas como "injustas" e reiterou a defesa de uma solução negociada para o impasse.
Uma das investigações foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Nela, a administração de Donald Trump propõe uma tarifa adicional de 25%, sob o argumento de que políticas brasileiras criam barreiras ou prejudicam empresas norte-americanas. Entre os temas questionados estão o Pix, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, o mercado de etanol, regras de propriedade intelectual, ações de combate à corrupção e a fiscalização ambiental.
Paralelamente, outra investigação prevê uma tarifa extra de 12,5% com a justificativa de que o Brasil não adota medidas suficientes para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado. As duas sobretaxas podem ser aplicadas de forma cumulativa.
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Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), caso as duas medidas sejam implementadas, 4.187 produtos brasileiros, responsáveis por US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser tributados em até 37,5%. O percentual reúne a tarifa temporária de 10% já em vigor, uma sobretaxa de 25% proposta na investigação baseada na Seção 301 e outra de 12,5% relacionada à apuração sobre trabalho forçado.
Na prática, a adoção das duas novas tarifas elevaria em 27,5 pontos percentuais a tributação incidente sobre esses produtos, fazendo com que a alíquota total passasse dos atuais 10% para até 37,5%.
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