O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como "um completo absurdo" a decisão do governo dos Estados Unidos de apontar o Pix como uma prática comercial desleal na investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A menção ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos integra o processo que embasou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o ministro, a inclusão do Pix na investigação cria um risco desnecessário para um sistema público que, na avaliação do governo, não compete com empresas privadas nem impõe barreiras ao mercado. "Não faz sentido que se discuta o Pix em uma mesa de negociação, porque o Pix não está em negociação", afirmou nesta sexta-feira (17/7), após reunião com empresários do setor de bebidas, em São Paulo.
Durigan destacou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta, disponível em igualdade de condições para bancos, fintechs, empresas de pagamento e operadoras de cartão. Para ele, o sistema ampliou a concorrência no setor financeiro e contribuiu para o aumento das transações eletrônicas no país.
O ministro assegurou que o governo manterá o serviço público e afirmou que o instrumento não será objeto de concessões nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
Retaliação
Em relação à resposta brasileira ao tarifaço, Durigan afirmou que o governo não trabalha, neste momento, com uma estratégia de retaliação comercial. Segundo ele, a prioridade continua sendo a busca de uma solução negociada, enquanto são avaliados os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. "Não cabe falar em retaliação. Retaliação é uma palavra que está fora do nosso escopo e do nosso trabalho", disse.
O ministro informou que o governo mantém diálogo com representantes do setor produtivo para analisar possíveis medidas de reciprocidade, mas ressaltou que qualquer decisão será tomada no momento considerado mais adequado e com foco na proteção da economia brasileira.
"Estamos tomando muito cuidado com isso. O cuidado não é em relação aos Estados Unidos, e sim à nossa economia. Não podemos usar um momento político-eleitoral para fazer ataques político-eleitorais prejudicando a economia", afirmou.
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