
Em um dia positivo para o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), as ações da Braskem andaram na contramão do ritmo de alta do mercado e fecharam o pregão desta segunda-feira (24/8) com queda de 6,71%, vendida a R$ 4,73.
A queda nos papéis da empresa foi a maior entre todas as listadas na B3 e foi resultado do pedido de recuperação extrajudicial protocolado pela companhia ainda na madrugada de domingo (23) para segunda, após uma série de tratativas entre acionistas e credores.
As ações da empresa já haviam registrado uma queda forte no último dia 14 de agosto, quando publicou o balanço operacional do segundo trimestre. Mesmo com um lucro líquido de R$ 3,33 bilhões e uma receita líquida de R$ 21,72 bilhões no período, os papeis da petrolífera desabaram 7% naquele dia, em razão de uma percepção negativa que já influenciava os investidores.
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Para o analista Pedro Galdi, da AGF Investimentos, o resultado positivo da Braskem no segundo trimestre ocorreu mais em virtude de um aumento do valor comercializado do que em volume negociado, por conta do avanço no preço do petróleo no mercado internacional naquele período. O volume atingiu 2,22 milhões de toneladas no acumulado dos três meses, o que indica uma queda de 7% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Além do cenário externo, o resultado mostrou que a dívida líquida avançou US$ 177 milhões no trimestre, para US$ 8,66 bilhões. Algumas fontes indicam que esse valor já chega a perto de US$ 10 bilhões, o que representa mais de R$ 50 bilhões.
Fechamento do mercado
No final do dia, o Ibovespa fechou o quarto dia consecutivo em alta, desta vez de 0,86%, aos 171.906 pontos. A tempestade provocada pela Braskem impactou outras empresas do setor petrolífero, como a Petrobras (PETR4), que caiu 2,26%, e a PRIO (PRIO3), que recuou 1,96%. Ambos os papéis também foram abalados pela queda no preço do petróleo ao longo do dia.
No mercado cambial, o dólar voltou a ganhar força ante o real e fechou o pregão cotado a R$ 5,15, com uma alta de 0,16%. Na avaliação de Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad, essa relativa estabilidade reflete um compasso de espera por parte dos investidores globais, que aguardam os detalhes e a efetividade das novas e severas sanções econômicas prometidas pelos Estados Unidos contra o Irã.
“Além da tensão geopolítica latente no Oriente Médio, o humor externo foi pautado por uma maior aversão ao risco nas bolsas americanas, que enfrentaram um movimento de realização de lucros focado especialmente nas ações das grandes empresas de tecnologia, limitando um otimismo mais generalizado nos mercados emergentes”, avalia a especialista.

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