Combustíveis fósseis

Veja linha do tempo da perfuração por petróleo na Margem Equatorial

Corrida pela exploração acelerou em 2015, após descoberta de megareserva na Guiana, país vizinho ao Amapá. Trajetória, contudo, foi conturbada e ocorreu sob críticas de ambientalistas

A Petrobras anunciou na noite desta sexta-feira (14/8) a descoberta de indícios da presença de petróleo na Margem Equatorial, na costa do Amapá. O anúncio, recebido com grande otimismo pelo governo federal, é resultado de uma trajetória controversa, envolvendo de críticas de ambientalistas a pressões políticas para a emissão de licenças ambientais.

A descoberta ocorreu no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), que fica a 175 km do litoral do Amapá, após perfuração por uma sonda. A petroleira anunciou que foram encontrados hidrocarbonetos durante a exploração, principal componente do petróleo e seus derivados.

O local fica na Baía da Foz do Amazonas, perto de onde o maior rio do mundo deságua no mar. As suspeitas sobre a presença de petróleo na região são antigas, mas o estopim para a exploração efetiva foi em 2015, quando a Guiana, país vizinho ao Amapá, anunciou a descoberta de uma megareserva no local.

O anúncio acendeu a corrida pela exploração no Brasil, e empresas estrangeiras como a TotalEnergies e BP entraram com o processo de licenciamento ambiental no Ibama, que foram repetidamente negados. Em 2020, a Petrobras oficializou a previsão de investimentos de US$ 1 bilhão no local entre 2021 e 2025, sinalizando que assumiria os poços na região. Também comprou a participação de empresas privadas.

Em maio de 2023, o Ibama negou o pedido inicial de exploração feito pela Petrobras, argumentando que o plano de segurança apresentado pela estatal era insuficiente para mitigar eventuais danos causados por um derramamento de petróleo, que poderia atingir a costa amazônia.

Iniciou-se, então, um cabo de guerra entre a estatal e o órgão ambiental pela emissão da licença. Nos dois anos seguintes, a Petrobras apresentou atualizações do plano de segurança e novos estudos para tentar provar que a exploração é segura para o meio ambiente.

Pressão política

Enquanto isso, integrantes do governo federal, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passaram a cobrar publicamente a emissão da licença pelo Ibama e criticar o entrave ambiental, apesar da exploração ocorrer em um local ambientalmente sensível. Parlamentares do Amapá, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), juntaram-se ao coro.

Com isso, servidores do Ibama passaram a denunciar pressão política do governo sobre o processo de licenciamento ambiental, que deveria ser estritamente técnico. O embate colocou Lula e a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em lados opostos, já que Marina saiu em defesa do trabalho do Ibama.

A autorização foi concedida pelo Ibama apenas em outubro de 2025, mas apenas para a perfuração exploratória. Ou seja, para confirmar a presença de petróleo no local. A exploração comercial, por sua vez, necessita de outra licença.

O anúncio gerou uma série de críticas, especialmente porque a autorização foi concedida às vésperas da COP 30, sediada em Belém, no Pará. O aumento na exploração de petróleo vai na contramão do que defendem os ambientalistas para combater as mudanças climáticas, que é cortar o uso de combustíveis fósseis.

Em janeiro deste ano, a sonda que realiza a exploração sofreu um vazamento que levou ao derramamento de 18 mil litros de fluido de mineração, interrompendo as atividades temporariamente. Com isso, o Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões.

A perfuração culminou no anúncio desta sexta-feira, que indicia a presença de reservas de petróleo no poço explorado.

Veja a linha do tempo da exploração:

  • Maio 2015: ExxonMobil anuncia a descoberta de uma reserva gigante de petróleo na Guiana, país vizinho o Amapá. A exploração do combustível no local causou um boom econômico na Guiana e despertou o interesse por poços no lado brasileiro
  • Novembro de 2020: Petrobras publica Plano Estratégico 2021–2025, com previsão de investimentos de US$ 1 bilhão na Margem Equatorial no período. Estatal comprou a participação da TotalEnergies e da BP em poços da região
  • Maio de 2023: Ibama nega primeiro pedido de exploração da Petrobras, argumentando que o plano de segurança apresentado era insuficiente para proteger o ecossistema amazônico em caso de acidentes, como derramamentos de petróleo
  • Outubro de 2025: Ibama concede a licença para a perfuração exploratória da região, a um mês do início da COP 30, sediada em Belém, no Pará. O anúncio gerou uma onda de críticas por ambientalistas
  • Janeiro de 2026: Sonda apresenta vazamento durante a perfuração, e 18 mil litros de fluido de perfuração são despejados no mar. Ibama multa Petrobras em R$ 2,5 milhões
  • Agosto de 2026: Petrobras anuncia que a perfuração inicial encontrou hidrocarbonetos, que indicam a presença de reservas de petróleo no local

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