SETOR EXTERNO

Gastos de brasileiros no exterior batem recorde em julho, segundo BC

Conforme dados do Banco Central, em julho, os brasileiros aproveitaram a queda do dólar em viagens internacionais e gastaram US$ 2,457 bilhões no exterior -- maior valor desde o início da série histórica, em 1995

Os brasileiros continuaram aproveitando a desvalorização do dólar, que recuou quase 2% em julho, e gastaram como nunca no exterior no mês passado. Conforme dados do Banco Central, as despesas de brasileiros em viagens internacionais somou US$ 2,457 bilhões, maior valor mensal desde o início da série histórica, em 1995.

Esse resultado mensal foi 10,8% superior ao registrado em junho, de US$ 2,156 bilhões, e 3,7% acima do contabilizado no mesmo mês de 2025, conforme dados da nota mensal do setor externo do BC. 

Enquanto isso, as despesas de estrangeiros com viagens ao Brasil somaram US$ 899 milhões, resultando em um deficit de US$ 1,558 bilhão no sétimo mês do ano. Em julho de 2025, o saldo negativo foi de US$ 1,443 bilhão.

De acordo com a nota do BC, no acumulado do ano até o mês de julho, os gastos de brasileiros com vigens internacionais somou US$ 15,1 bilhões, dado 18,9% acima dos US$ 12,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A autoridade monetária havia registrado recorde histórico em junho, no acumulado do semestre, de US$ R$ 12,61 bilhões.

Já os gastos acumulados de estrangeiros no país somaram US$ 6,543 bilhões no mesmo intervalo. Com isso, o deficit da conta de viagens internacionais foi 27,5% maior do que registrado no mesmo período de 2025, passando de US$ 6,689 bilhões para US$ 8,531 bilhões.

No mês passado, a divisa norte-americana acumulou queda de 1,82% em julho frente ao real, e, nos sete meses do ano, acumulou recuo de 7,73%.

Investimentos diretos e criptoativos

Conforme os dados da nota do BC, os ingressos líquidos de investimentos diretos no país (IDP) encolheram 10,7%, no sétimo mês de 2026, na comparação com o mesmo intervalo de 2025, para US$ 7,5 bilhões. Desse montante, houve ingressos líquidos de US$ 7,2 bilhões em participação no capital, dos quais US$ 2,7 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$ 4,5 bilhões em lucros reinvestidos no país; e de US$ 0,3 bilhão em operações intercompanhias.

No acumulado em 12 meses até julho, o IDP somou totalizou US$ 88,4 bilhões, o equivalente a 3,50% do Produto Interno Bruto (PIB), dado 1% abaixo dos US$ 89,3 bilhões, ou 3,58% do PIB, computados no mesmo período até junho deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o volume de IDP somou US$ 68,3 bilhões, ou 3,16% do PIB, houve crescimento de 29,4%.

De acordo com os dados do BC, os investimentos em carteira no país tiveram ingressos líquidos de US$ 1,1 bilhão, em julho de 2026. Os investimentos em ações e fundos de investimento no mercado doméstico registraram ingressos líquidos de US$ 1,9 bilhão, enquanto os investimentos em títulos no mercado doméstico, saídas líquidas de US$ 0,7 bilhão. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026 os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram ingressos líquidos de US$ 19,1 bilhões.

A aquisição líquida de criptoativos com passivo correspondente, sobretudo stable coins, compilada em "Outros Investimentos", somou US$ 0,6 bilhão, em julho de 2026, dado 57,1% inferior ao valor registrado em julho de 2025, de US$ 1,4 bilhão. Frente aos US$ 2,6 bilhões no mês anterior, o tombo foi ainda maior, de 77%.

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Balanço de pagamentos

As transações correntes do balanço de pagamentos ficaram deficitárias em US$ 8,1 bilhões em julho de 2026. O saldo negativo foi 17,4% maior do que o deficit de US$6,9 bilhões computado no mesmo mês de 2025. Em 12 meses até juho, o deficit acumulado de transações correntes foi de US$ 62,9 bilhões, o equivalente a 2,49% do PIB.

 

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