BANCO CENTRAL

Dívida pública chega a 82,5% do PIB, maior patamar desde abril de 2021

Conforme dados do Banco Central, a dívida pública bruta cresceu novamente e atingiu 82,5% do PIB, maior patamar desde abril de 2021, totalizando R$ 10,9 trilhões e dívida líquida -- descontandsd as reservas internacionais -- atinge maior patamar da história

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que compreende governo federal, Previdência Social e governos estaduais e municipais – atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em julho, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (31/8), pelo Banco Central.

O dado da dívida pública bruta apresentou aumento de 0,6 ponto percentual em relação aos 81,9% do PIB registrados em junho e é o maior patamar desde abril de 2021 e segue acima da média dos países emergentes. 

Conforme informações do BC, o avanço do endividamento público é resultado do impacto do aumento dos juros nominais, de 0,8 ponto percentual e das emissões líquidas da dívida, de 0,2 ponto percentual e da combinação da queda em 0,5 ponto percentual no PIB nominal. Em 12 meses a dívida pública bruta registrou um 5,3 pontos percentuais do PIB, principalmente em função do pagamento de juros nominais, o equivalente a 9,5 pontos percentuais.

Enquanto isso, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta as reservas internacionais do governo,  avançou 0,6 ponto percentual do PIB,  para 69,1% do PIB. No acumulado em 12 meses até julho, a DLSP cresceu 5,7 pontos percentuais.

Tiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos, destacou que o fato de a dívida pública bruta alcançar o maior valor desde abril de 2021 é preocupante, porque, naquele ano, o que justicava o endividamento público nesse patamar eram os gastos para conter o efeito da pandemia da covid-19. Além disso, ele lembrou que a dívida líquida do setor público atingiu o máximo histórico.

“Nesse sentido, vale destacar que, além da persistência de déficits primários, a taxa de juros implícita se mantém em níveis próximos aos verificados em 2016, período de crise econômica intensa. Essa tendência deve persistir na ausência de uma melhora estrutural na política fiscal que permita gerar superávits primários compatíveis com a estabilização da dívida pública”, alertou.

Rombos constantes

De acordo com dados do BC, o setor público consolidado – que reúne os governos federais e regionais e as estatais – registrou superavit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, ante saldo negativo de R$ 66,6 bilhões no mesmo mês de 2025.  Nas contas do governo central houve superavit primário de R$ 11 bilhões e nos governos regionais e nas empresas estatais, deficits respectivos foram de R$8 ,5 bilhões e R$ 1,1 bilhão. Em 12 meses até julho, o setor público consolidado acumulou deficit primário de R$ 89,3 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB, dado 0,52 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período até junho

Tiago Sbardelotto, da XP, ressaltou que, apesar de apresentar um superavit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, o resultado do setor público consolidado ainda é considerado fraco e ficou abaixo do consenso do mercado, que esperava um saldo positivo de R$ 6,4 bilhões.

Pelas projeções da XP, a expectativa era de um superavit de R$ 5,8 bilhões.  Segundo o economista, vale destacar que, além da persistência de deficit primários, a taxa de juros implícita se mantém em níveis próximos aos verificados em 2016, período de crise econômica intensa. “Essa tendência deve persistir na ausência de uma melhora estrutural na política fiscal que permita gerar superávits primários compatíveis com a estabilização da dívida pública”, alertou.

O economista contou que as projeções da XP estimam um rombo fiscal de R$ 40,4 bilhões nas contas do governo central neste ano (0,3% do PIB),"refletindo aumento de receita e a forte alta dos preços do petróleo". Segundo ele, o setor público consolidado deverá registrar deficit primário de R$ 48,2 bilhões (0,4% do PIB), em 2026, e um deficit nominal de R$ 1.232,6 bilhões (9,0% do PIB) e a dívida pública bruta deverá encerrar o ano em 83,2% do PIB.

No acumulado do ano, o setor público alcançou déficit de R$ 78,8 bilhões e, em 12 meses, saldo negativo passou para R$ 89,3 bilhões (0,7% do PIB). Na abertura, o governo central registrou superavit de R$ 11 bilhões, enquanto governos regionais e empresas estatais apresentaram rombos fiscais de R$ 8,5 bilhões e R$ 1,1 bilhão, respectivamente. Em 12 meses, o governo central acumula deficit primário de R$ 72,4 bilhões (0,5% do PIB), os governos subnacionais registraram deficit primário de R$ 9,3 bilhões (0,1% do PIB). As estatais federais apresentaram deficit de R$ 7,6 bilhões (0,1% do PIB).

Juros saltam 22%

Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$ 99,0 bilhões em julho de 2026, dado levemente  abaixo dos R$ 109,0 bilhões computados em julho de 2025. Conforme dados do Banco Central, contribuiu para essa redução a evolução favorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$ 12,4 bilhões em julho de 2026 e perda de R$ 3,3 bilhões em julho de 2025).

No acumulado em 12 meses até julho, os juros nominais alcançaram R$ 1,150 trilhão, o equivalente a 8,67% do PIB, dado 22,2% superior aos comparativamente aos R$ 941,2 bilhões (7,60% do PIB) nos 12 meses até julho de 2025.

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Com essess resultados, o deficit nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, somou R$ 97,6 bilhões em julho. No acumulado em 12 meses, esse rombo que reflete a necessidade de financiamento público alcançou R$ 1.239,8 bilhões (9,34% do PIB), dado 0,64 ponto percentual ao registrado no no mesmo período até junho. 

 

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