
São Paulo — O iFood, uma das plataformas de delivery mais conhecidas do país, anunciou planos para ampliar a atuação como operadora de crédito. Além dos serviços que presta, a empresa brasileira de tecnologia quer avançar no setor financeiro por meio do iFood Pago, voltado a vários serviços financeiros para restaurantes e varejistas. Desde o início das operações, em 2024, o iFood Pago informa ter liberado R$ 4,6 bilhões em crédito, com R$ 9,2 bilhões em recursos pré-aprovados para varejistas no país. Segundo a empresa, mais de 50% dos restaurantes que receberam crédito não tinham acesso a outras modalidades de crédito nas demais instituições financeiras.
O anúncio ocorreu durante o iFood Move 2026, na última semana, quando foi revelado o investimento de R$ 24 bilhões no Brasil no ano fiscal da empresa, que vai de abril de 2026 a março de 2027. O valor representa aumento de 41% em relação ao ciclo anterior, quando foram destinados R$ 17 bilhões.
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A análise considera dados da operação dos estabelecimentos dentro do aplicativo, como taxa de revisão e avaliações dos clientes. Para Bruno Henriques, CEO do iFood Pago, um dos diferenciais da plataforma está na utilização dos dados gerados pela própria atividade dos restaurantes para definir a concessão. "O iFood Pago tem um diferencial, que é entender para quem você está emprestando dinheiro. Toda a modelagem de crédito dele é feita em cima da operação real do que está acontecendo com o restaurante", explica.
Aplicação
Segundo Henriques, o crédito é utilizado como instrumento para financiar a expansão dos estabelecimentos. Ele afirmou que a fintech surgiu como motor de crescimento de uma demanda que eles precisavam porque viam potencial do dono do restaurante de crescer o negócio e aumentar os envios.
O executivo disse que o iFood Pago tem atualmente uma carteira superior a R$ 2 bilhões, com crescimento de 70%. "Todos os restaurantes que estão operando com a gente, que têm pelo menos seis meses de operação, já têm uma linha de crédito pré-aprovada dentro do Pago. E hoje o Pago se financia por meio de FIDC 9 (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e o iFood Pago ancora esse FIDC com 20%", afirma.
A concessão também é feita de forma progressiva, de acordo com o tempo de operação do restaurante na plataforma. "Quanto mais tempo ele está na plataforma, mais a gente entende desse restaurante e mais acesso a produtos financeiros ele tem. Um restaurante que a gente poderia conceder talvez R$ 100 mil de crédito pelo potencial, mas no início, a gente pode oferecer R$ 10 mil em crédito para ele."
Troca
O uso de crédito também pode estar relacionado à substituição de dívidas de restaurantes, segundo o presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Erik Momo. "Devido às dívidas que os restaurantes não conseguem pagar porque foram negociadas quando a taxa de juros era menor e hoje trabalham com a selic a 13,75%, o dono pensa, 'eu vou pegar o dinheiro que a empresa de entrega quer me dar e quitar uma dívida, eu pago a dívida, e aí eu trabalho junto com a empresa de delivery e está tudo bem, salvei meu negócio'", explica.
Para vice-presidente de Growth no iFood Pago, Wilson Cimino, a plataforma busca avaliar o potencial dos estabelecimentos a partir de informações que vão além do histórico bancário. "Esses empreendedores têm uma dificuldade enorme na obtenção de crédito porque o banco não aposta no futuro das pessoas, o banco olha o extrato bancário. A gente entende a demanda, o feedback dos clientes e faz uma análise do potencial que esse empreendedor possui", diz. "Nossa taxa de juros varia com diversos critérios, mas são taxas que começam hoje em 1,99% ao mês. Quando você compara com o mercado para este público, é o crédito mais barato que poderia ser oferecido para o cliente."
Segundo o executivo, o acompanhamento da operação permite ampliar a concessão e controlar a inadimplência. Ele explica que o segredo está em fazer uma boa concessão e oferecer crédito para mais clientes de uma forma consciente, que não tenha chance de o cliente não conseguir pagar, para fomentar o crescimento de mais restaurantes, que para eles, são parceiros que quando ganha, a empresa de delivery ganha junto.
Produtos
O iFood Pago também começou a testar produtos de crédito voltados diretamente aos consumidores. A modalidade representa uma expansão da atuação da plataforma, que até então tinha foco nos empreendedores. "Estávamos falando até agora sobre o crédito e serviços financeiros pro empreendedor (B2B). Mas, principalmente, para a classe C e D, existe uma demanda por produtos financeiros de crédito na pessoa física e estamos começando a experimentar com produtos B2C," conta.
Dados do iFood Pago mostram que mercados e atacados concentraram 65% do volume de transações e 57% do valor movimentado pelo Cartão iFood Pago entre maio e julho de 2026. Segundo o levantamento, o meio de pagamento é utilizado principalmente por pequenos e médios negócios para reposição de estoque e compra de insumos. Julho registrou o maior volume histórico de utilização do cartão desde o lançamento.
O levantamento também aponta que os segmentos de negócios e consultoria apresentam o maior ticket médio, indicando uso do cartão em serviços relacionados à gestão dos estabelecimentos. Na distribuição semanal, quartas e sextas-feiras concentram 75% dos momentos de utilização do cartão. Aos sábados, o maior movimento ocorre entre 7h e 9h, período associado à preparação dos estabelecimentos para o fim de semana.
*O repórter viajou a convite do ifood
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