
O custo dos empréstimos e a inadimplência não param de crescer, apesar dos cortes sucessivos na taxa básica da economia (Selic), atualmente em 13,75% ao ano. O Banco Central, desde março, vem reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual, nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), mas o endividamento das famílias também seguem crescendo diante desses custos mais elevados dos juros praticados pelo sistema financeiro.
Em julho, o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda familiar, com aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior, e o comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, situando-se em 28,7%, conforme dados do BC divulgados nesta terça-feira (29/9).
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Enquanto isso, a taxa de inadimplência nas operações de crédito livre subiu de 6,4%, em julho, para 6,6% em agosto, novo recorde. Mas a taxa de calote para pessoas físicas manteve-se acima dessa média e continuou crescendo, subindo de 7,8% para 8% entre julho e agosto, novo recorde histórico.
Já a inadimplência das empresas subiu de 4,2% para 4,3%. Considerando o crédito total, que inclui o livre e o direcionado – com recursos da poupança e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a inadimplência passou de 4,9% para 5%.
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Esse aumento dos calotes nos empréstimos está relacionado com o custo do crédito, que está cada vez mais caro. Conforme os dados do BC, a taxa média de juros das operações com recursos livres em agosto apresentou alta de 0,8 ponto percentual (p.p.), na comparação com o mês anterior, para 48,5% ao ano.
No acumulado em 12 meses, o aumento foi de 2,3 p.p. Se for considerada apenas a taxa média do crédito livre às famílias, o custo dos juros atingiu 61,7% anuais, com aumentos de 1,4 p.p. no mês e de 2,9 p.p. em 12 meses, prevalecendo o efeito da variação da composição das carteiras (efeito saldo) em agosto.
No segmento de crédito para a pessoa física, contudo, o destaque ficou com os aumentos das taxas no rotativo do cartão de crédito, que passou de 436,2% para 444,9% ao ano, entre julho e agosto.
Aumento do spread bancário
Um dos principais componentes desses juros cada vez mais elevados é o spread bancário (que inclui a margem de lucro dos bancos e gastos operacionais), e, consequentemente, o maior vilão desses juros acima da média global.
Em agosto, o spread total somou 21,2%, acima dos 20,9% registrados no mês anterior, mas, apenas para as pessoas físicas, o spread subiu de 26,7% para 27,7%, na comparação mensal.
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Os dados do Banco Central mostram que empresas, governo e famílias seguem se endividando de forma geral. Em agosto, o saldo do mercado de crédito total ampliado, incluindo o setor não financeiro, cresceu 0,6% na comparação com julho, totalizando R$ 22 trilhões, o equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Conforme o relatório do BC, esse resultado reflete, principalmente, os aumentos de 2,5% em empréstimos externos, 0,6% em empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 1,6% em títulos de dívida securitizados. No acumulado em 12 meses, o crescimento foi de 11,3%, destacando-se os crescimentos de 13,9% em títulos públicos, 9,1% em empréstimos do SFN, 15,9% em títulos privados de dívida e 18,3% em títulos de dívida securitizados.
Saldo do SFN
O saldo total das operações de crédito do SFN apresentou expansão de 0,5%, em agosto em relação a julho, totalizando R$ 7,4 trilhões. No acumulado em 12 meses agosto, o volume de crédito total aumentou 9,2%, mostrando desaceleração em relação à alta de 9,3% nos 12 meses até julho. Nesse período, foram registrados aumentos de 7,1% no crédito às pessoas jurídicas (7,3% no mês anterior) e de 10,5% no crédito às pessoas físicas (10,6% no mês anterior).
As concessões totais de crédito, na série com ajuste sazonal, cresceram 1,7% no mês, com avanços de 3,2% nas operações com pessoas jurídicas e de 0,7% nas operações com pessoas físicas. A taxa média de juros das concessões em agosto ficou em 32,3% ao ano, com altas de 0,2 ponto percentual, no mês, e de 0,4 p.p, no acumulado em 12 meses.
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