A produção de morango no DF foi tema, ontem, do CB.Agro — parceria entre o Correio e a TV Brasília — às vésperas da 30ª Festa do Morango de Brasília. O evento será realizado de 5 a 13 de setembro, no Núcleo Rural Alexandre de Gusmão, em Brazlândia. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ronayre Nunes, o engenheiro agrônomo da Emater-DF Claudinei Vieira contou que foram selecionados 45 agricultores para comercializar e expor seus produtos no principal espaço da festa. Segundo ele, na região, há 515 produtores da fruta. Já Fábio Harada, vice-presidente da Arcag, associação responsável pelo festival, falou sobre a evolução da cultura no DF e o papel da biotecnologia nesse avanço. Confira, a seguir, os principais pontos.
Harada, o senhor é pioneiro da produção de morango no DF. Conte um pouco de sua história, por favor.
Harada: No começo, na década de 70, quando nos mudamos de São Paulo para cá, o morango era produzido apenas por algumas famílias. A partir dessa época, houve uma evolução, tanto na parte de quem está produzindo quanto na biotecnologia. Foi esse desenvolvimento que permitiu atingirmos 30 anos de Festa do Morango. Quando começamos a produzir com biotecnologia e com economia de água, nossa produção aumenta sem precisar aumentar a área. Automaticamente, temos como resultado essa festa grandiosa que todo ano fazemos.
Na festa, vai haver o estande Morangolândia. Como ele funciona?
Vieira: A Morangolândia é a vitrine da festa. São 45 famílias selecionadas pela Emater. Eles vão estar comercializando e expondo seus produtos. No domingo, vamos fazer o concurso de receitas. Vamos ter, pelo menos, 10 receitas novas ingressando no calendário da Festa do Morango.
Quanto a produção de morango movimenta a economia do DF?
Vieira: Em Brazlândia, temos 515 produtores de morango. A maioria é da produção familiar. Basicamente, a receita deles ao longo do ano vem dessa fruta. O valor bruto da produção da safra do último ano foi de R$105 milhões.
Qual é o volume da produção no DF?
Vieira: Temos algumas oscilações, seja por causa da mão de obra seja por causa do clima. Neste ano, por exemplo, tivemos chuva em junho, o que atrapalhou a primeira colheita. Essa é uma cultura muito sensível. Ela não gosta de muita água. Pelo menos não na folha. Ela gosta de água na raiz e na quantidade correta. No último levantamento que a gente fez, observamos 170 hectares de morango plantado. O volume produzido foi de 5200 toneladas na última safra. Neste ano, ainda não fechamos o número porque a safra continua. Ela vai até dezembro. No entanto, mesmo com a chuva de junho, estamos esperando um aumento para 2026.
Qual é o cuidado que precisa haver para se ter uma boa safra aqui?
Harada: Quando viemos de Atibaia (SP) para cá, tínhamos medo porque a gente sabia que morango precisa de altitude e de frio. No Planalto, não encontramos isso, mas essa cultura se adaptou muito bem. O preparo do solo precisa ser muito bem feito. Quando não tínhamos literatura, fazíamos no olhômetro. Hoje, nós temos alguns parâmetros. Acho importante uma boa muda, boa adubação, bom controle fitossanitário e a família trabalhar junto. Nossos ex-funcionários e ex-meeiros são os que estão hoje na atividade, e estão produzindo melhor que nós. Olhamos para trás com orgulho. Valeu a pena ter vindo para cá apesar das incertezas.
Quais são as metas e os desafios do setor?
Harada: Como produtor, quanto mais mercado a gente abrir, mais vamos ter sucesso. Para abrir mercado, precisamos de mão de obra, que está escassa. Outra questão são as variedades de mudas que estavam chegando com certas doenças. É uma incerteza que temos agora.
Vieira: Um gargalo importante também é a falta de um centro de produção de mudas no DF. Isso atrapalha a logística porque a muda, quando chega, já perdeu um pouco da qualidade. Estamos trabalhando em conjunto com a Embrapa para colocarmos um centro de distribuição de mudas produzidas no DF. Com isso, vamos conseguir eliminar vários problemas que vêm embutidos na muda. Inclusive, nesse período, a produção é alta o suficiente para exportarmos. A região Norte pega muito morango do DF, por exemplo. Destravando esse gargalo, a gente pode exportar morangos, talvez, para fora do Brasil.
*Estagiária sob supervisão de Edla Lula
