A previsão do mercado financeiro para a inflação neste ano voltou a ficar mais próxima a 5%, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (28/9). No relatório desta semana, a mediana das estimativas subiu de 4,92% para 4,99% em 2026. Também houve um aumento de 4,30% para 4,31% na projeção de 2027.
A perspectiva de um crescimento maior na trajetória dos preços para este ano ganhou mais força com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — 15 (IPCA-15) na última sexta-feira (25). Os dados apontam que a inflação até a metade de setembro avançou 0,7%, muito acima das estimativas para o mercado e devolvendo a deflação de 0,4% no mês anterior.
O resultado foi alavancado, principalmente, pelo aumento dos preços da energia elétrica, que subiu 7,42% em setembro com o fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas. Diante disso, o grupo de habitação registrou uma alta de 2,07% no período. Outros setores que também aceleraram foram alimentos, transportes e despesas pessoais.
Para 2028, a mediana das estimativas para o IPCA permaneceu estável em 3,8%, enquanto que no ano seguinte, os agentes projetam uma inflação de 3,5% — as duas ainda acima do centro da meta, de 3%.
PIB mais fraco
Em relação à atividade econômica, o mercado financeiro reduziu as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,88% para 1,86%, na comparação com o relatório da semana anterior. Também houve queda na projeção para o ano seguinte, de 1,43% para 1,41%, e para 2028, de 1,87% para 1,83%.
O ajuste para baixo nas projeções do PIB é reflexo principalmente da retração econômica causada pela taxa de juros elevada, que chegou a ficar por mais de seis meses em 15% ao ano. Como os efeitos são defasados, a economia brasileira deve sentir o impacto mais forte da política monetária restritiva somente a partir de 2027.
Juros e câmbio
Ainda sobre a taxa de juros, a mediana das projeções para a Selic permaneceu estável, após reduzirem na semana anterior a estimativa, de 13,75% para 13,5%. Isso significa que o mercado aposta, em sua maioria, em mais um corte da taxa básica até o final do ano. A próxima reunião ocorre nos dias 3 e 4 de novembro.
Já em relação à trajetória do câmbio, os agentes do mercado financeiro seguem confiantes de que o dólar encerrará o ano no patamar de R$ 5,20. É a 15ª semana consecutiva que a projeção para o valor da moeda norte-americana em 2026 fica estável.
