COMÉRCIO EXTERIOR

Ministro vê proibição da carne pela UE como temporária

Segundo ministro Márcio Elias Rosa, o veto da União Europeia à carne brasileira representa uma retração temporária que não vai se perpetuar. Segundo ele, o objetivo do país é continuar fazendo acordos comerciais, independentemente da ideologia

Márcio Elias, do Mdic, conversará, por telefone, com o representante dos EUA, no dia 31 de agosto -  (crédito: Júlio César Silva/Mdic)
Márcio Elias, do Mdic, conversará, por telefone, com o representante dos EUA, no dia 31 de agosto - (crédito: Júlio César Silva/Mdic)

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (8/10), que o veto da União Europeia à carne brasileira representa uma retração temporária que não vai se perpetuar. A declaração foi dada a jornalistas antes do evento Conexões Produtivas, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na capital fluminense.


A decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do r bloco europeu foi anunciada em maio, poucos dias depois de o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a UE entrar em vigor, de forma provisória.

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Com a medida, o país fica impedido de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco. O ministro ressaltou que o veto antecedeu a assinatura do acordo e não está relacionada diretamente ao tratado de livre-comércio, ao Brasil ou ao Mercosul, que entrou em vigor em setembro. Segundo ele, o ministério da Agricultura está dialogando para superar essas barreiras, já havendo soluções para carne, frango e mel.


"Acho que isso vai ser superado. A retração que pode ocorrer nesse caso específico é temporária, passageira, ela não vai se perpetuar", afirmou o titular do Mdic.


De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, a discussão é "eminentemente fitossanitária". Na avaliação dele, mesmo com a restrição, o país deve bater um novo recorde de US$ 18 bilhões de exportação de carne este ano.


Novos acordos comerciais


Durante o evento na sede da Firjan, Rosa destacou que a prioridade do governo é seguir ampliando acordos comerciais, inclusive com os Estados Unidos, que retomaram o diálogo com o Brasil após o novo tarifaço imposto em agosto.


“Parceiros são muito importantes e eles precisam estar próximos, de fato, parceiros. Por isso que o acordo dos Estados Unidos precisa sair, mas é óbvio, sair atendendo, obviamente, as nossas condições, a nossa inteligência. Evidentemente, o acordo vai sair. E vai sair nesse modo que nós estamos falando aqui, assegurado a respeito das nossas potencialidades e possibilidades”, afirmou.


De acordo com o ministro, o país vem conseguindo atingir bons resultados com os acordos Mercosul-União Europeia, Mercosul-Cingapura e Mercosul-Canadá e vai continuar negociando também com o Japão, iniciado recentemente, mas que não deve demorar 26 anos como o que aconteceu com o acordo Mercosul e UE.


“O fato é que nós vamos continuar negociando, buscando acordos, porque o grande comércio é feito intrabloco. É nesses blocos econômicos que se formam, como no caso do Mercosul-UE, nós temos 720 milhões de pessoas nesse mercado. Não podemos ir para outro mercado, é preciso acessar de maneira privilegiada”, afirmou Rosa.


O titular do Mdic reconheceu que o Brasil cometeu um erro ao ficar muito tempo parado sem fazer acordos e considerou um exagero a demora de 26 anos para a conclusão do acordo de livre-comércio Mercosul-UE. “Quem não faz acordo, fica parado. E, ao contrário, o outro faz e assume o seu lugar. Por isso, nós temos que correr atrás disso e não ficar de costas para o Mercosul, nem para a América do Norte, e nem para a União Europeia. O Brasil vai buscar ter essa integração, uma política industrial, uma política de comércio exterior e uma estratégia nacional de comércio exterior para avançar para o futuro. E o Brasil está pronto para isso”, afirmou.


Ao citar números sobre o avanço das exportações brasileiras, o ministro lembrou que o país conseguiu diversificar mercados, abrindo 700 novos mercados para a pecuária e para o agro de forma geral. “E também conseguimos bater recorde de exportação para todos os destinos. O Brasil exportava para 537 destinos e aumentou para 790. E, é, de fato, um fato recorde. A média de crescimento das exportações do ano passado para cá é de 10,5%”, acrescentou.


Sem ideologia no comércio


O ministro ainda defendeu que não se pode ter ideologia geopolítica para fechar acordos comerciais. "O acordo que é possível fazer com os Estados Unidos é o mesmo acordo que eu posso fazer com a China, posso fazer com a Alemanha, posso fazer com a Espanha. Se você estabelecer preferência, você entra em uma disputa geopolítica que não é sua. E aqui foi dito, me perdoem se eu estou me alucinando e pergunto de alguém, mas não vou parar", afirmou.


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 "O melhor lugar para defendermos o Brasil é na mesa de negociação", frisou Rosa. Ele lembrou que a China é o primeiro parceiro comercial do Brasil e o bloco da União Europeia é o segundo. Os Estados Unidos, são o terceiro maior mercado para o país e a Argenina, o quarto parceiro e um grande importador de bens de transformação. A China, segundo ele, hoje, tem uma corrente comercial com o Brasil de aproximadamente US$ 770 bilhões. (Com Agência Estado)


 



 


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postado em 08/10/2026 16:37
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