
Foi a partir de sua experiência na direção-geral do Senado que Ilana Trombka escreveu o livro Mulher: a liderança em 10 lições, que será lançado na próxima terça-feira. Em entrevista ao Podcast do Correio, ontem, a doutora em administração pública contou como teve a ideia de compartilhar sua experiência em livro. Aos jornalistas Mariana Niederauer e Roberto Fonseca, ela também falou sobre sua trajetória profissional e o que aprendeu sobre liderança ao longo de sua carreira.
Como a senhora decidiu escrever esse livro?
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Estou chegando a um ponto da minha carreira em que minha aposentadoria no Senado está na esquina. Vou fazer 29 anos na instituição. Vi que tudo que eu tinha adquirido, todo aquele conhecimento e experiência, precisavam ser colocados à disposição da sociedade. Fui, então, a São Paulo conversar com pessoas que militam nesse campo. Em uma conversa com Gabriel Chalita, ele me disse: 'você fala bem e as suas histórias são envolventes, mas você precisa de um livro contando essas histórias'. Eu tinha um livro publicado, que tem como origem a minha tese de doutorado. Chalita disse que essa não é a linguagem que eu deveria usar. Eu deveria me inspirar em livros de autoajuda, que tem uma linguagem muito direta. Isso aconteceu no final de junho. Em 21 de julho eu tinha terminado o livro. Escrevi o livro muito rápido, mas o concebi em 11 anos.
As experiências que te inspiraram estão apenas no Senado?
É claro que a gente não consegue se separar em gavetas. Sou servidora pública, diretora-geral do Senado, mas também sou professora universitária e conselheira de administração. Além disso, tenho um videoblog. Tudo isso faz com que eu transite nesses caminhos de liderança. Então, o livro é uma mistura dessas experiências. Ele é dividido em três partes porque ele quer falar às mulheres que desejam ser ou já são líderes. Ele quer falar a todas as mulheres e também aos homens. Eles não serão lideranças femininas, mas eles têm que aprender a conviver, a facilitar e a aumentar o número de mulheres em posições de liderança.
De que forma a senhora enxerga as barreiras invisíveis no cotidiano do Senado?
Há muitas barreiras invisíveis sobre as quais a teoria já fala, como a teoria do teto de vidro, a dos labirintos da liderança ou a do degrau quebrado. Há barreiras físicas que são fáceis de a gente ver. No Senado, por exemplo, há uma escada caracol. Quando uma pessoa de saia sobe uma escada dessas, existe o risco de ela se expor. O plenário do Senado foi dotado de um banheiro feminino dentro do plenário apenas em 2016, quando eu já era diretora-geral. No decorrer do tempo, a gente foi fazendo movimentos simbólicos de aceitação. No Senado, a gente fala o mês do servidor e da servidora. As senadoras têm um bóton escrito senadoras da República. Antes tinha só bóton escrito senador.
Para qual público a senhora pensou esse livro?
O livro tem a seguinte estrutura: a primeira parte é mais teórica e conceitual. Fiz questão de colocá-la porque, muitas vezes, a mulher em posição de liderança acha que o problema é com ela. Na verdade, são processos estruturais que se repetem. Eu falo de muitas teorias. Uma delas é a do teto de vidro, a mais conhecida e mais antiga. Ela fala de situações em que a pessoa não consegue passar a ser diretora e fica no nível gerencial. É tão comum e estrutural que a ciência estudou e reportou o fenômeno. Essa primeira parte, além de dar um conhecimento conceitual, traz essa ideia de dizer que não é você. É a estrutura. Então, não se preocupe. A segunda parte traz as lições. A terceira se chama Agora só falta você. Ela busca atingir todas as mulheres. Nem todo mundo quer ser líder. Não há nenhum problema em não ser líder. Aliás, não há nenhum problema em optar por não estar no mercado de trabalho. Mas toda mulher pode contribuir para que a gente crie ambientes mais favoráveis a todas. É interessante porque essa terceira parte eu escrevi para as outras mulheres que não querem ser líderes, mas, hoje, depois que eu reli o livro, vi que ela fala muito do masculino.
Como um líder pode manejar a confiança em uma equipe?
Líder que não confia na equipe é problema. Se você não confia, você vai ter que ser onipresente. Você vai ter que participar de todas as decisões. Se você tem que participar de todas as decisões, você não reserva o melhor de si para as decisões mais importantes. Eu digo que eu posso fazer o que você faz, mas se eu for fazer o que você faz, quem vai fazer o que eu faço? Então, a gente tem que delegar.
Serviço
Lançamento nacional e noite de autógrafos em Brasília
- 20 de outubro, às 18h
- Casapark — Livraria da TravessaSCCV Sul, Lote 22, Loja 004APiso Superior, Park SulBrasília–DF, CEP 71215-100
*Estagiária sob supervisão de Edla Lula
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