O governo federal busca mitigar os efeitos da presença do vírus causador da Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus na cidade de Nova Itaberaba (SC). A descoberta do vírus foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que informou, ontem, que mais três países implementaram restrições à importação da carne de aves brasileira, após a descoberta do foco da doença.
Entre os mercados que restringiram as importações, está a China — maior parceiro comercial brasileiro — que suspendeu as importações de carne de aves, no geral, por tempo indeterminado. O Chile também restringiu a compra de ovos férteis, ovos SPF (livres de patógenos), pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves. As suspensões, no caso desses dois países, valem apenas para o estado de Santa Catarina, por enquanto.
No caso da China, o governo ressaltou que a restrição limitada a Santa Catarina foi resultado de uma negociação conduzida pelos agentes do Mapa com Pequim, que conseguiram evitar que a suspensão atingisse todas as importações provenientes do território nacional, como foi o caso do México, que, também no dia de ontem, suspendeu a compra de aves vivas, carne e miúdos de aves, entre outros.
Em nota, a Secretaria de Agricultura do México afirmou que o objetivo da suspensão é proteger a produção avícola local. O governo mexicano não informou por quanto tempo a restrição ficará em vigor e indicou que a medida afetará tanto importações comerciais quanto produtos transportados por turistas. Nos últimos anos, a exportação de peito de frango desossado para o México mais do que dobrou, e passaram de 90 mil toneladas em 2022 para 196 mil toneladas no ano passado.
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O Ministério da Agricultura ainda destacou, no comunicado publicado ontem, que mantém a conversa com outros países importadores com o fornecimento de informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle implementadas. "A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado", destaca o Mapa, em nota oficial.
Recentemente, outras medidas foram adotadas para restringir a compra de carnes brasileiras, tanto de aves quanto de bovinos, suínos, entre outros. No mês passado, a União Europeia suspendeu a importação de diversos produtos de origem animal, o que inclui todos os tipos de carnes, além de ovos e mel. Vale destacar que o bloco europeu é o segundo maior importador de frango do Brasil. No período de janeiro a setembro deste ano, foi responsável pela aquisição de US$ 917 milhões do produto nesse período, e ficou atrás somente da China, que comprou US$ 1,15 bilhão.
Enfrentamento
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acredita que tanto o governo quanto o setor produtivo mantêm uma preparação constante para a prevenção e enfrentamento a doenças, por meio de programas de biosseguridade e planos de contingenciamento, negociações prévias com países importadores em caso de ocorrências, simulações, entre outros. "O país, inclusive, mantém um plano oficial de contingência com esse objetivo", ressalta.
A entidade também avalia que o Brasil está entre os países mais avançados do mundo no trabalho de prevenção à ocorrências sanitárias para doenças aviárias. "O fato de ser o terceiro maior produtor do mundo e apenas ter registrado um único caso de Influenza Aviária em produção comercial — enquanto na maior parte de todos os médio e grandes produtores são recorrentes os casos da doenças — comprova esta capacidade brasileira em preservar o próprio status sanitário", frisa a associação.
Já a diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Patrícia Medeiros, explica que quando um foco é identificado, o protocolo sanitário estabelece o isolamento do local até que seja sanitizado novamente, o que já foi adotado. "O local do abate é isolado, toda mercadoria vinculada, tanto que já foi abatida ou que têm algum nível de contaminação, é totalmente isolado e tem tratamento específico para descarte", esclarece.
"A ave é um animal muito delicado. Ele é suscetível, naturalmente, às doenças respiratórias, que é o caso", destaca Medeiros, que enaltece o trabalho conduzido pela fiscalização sanitária do país e dos produtores. "Tanto para bem-estar animal, controle sanitário e bem-estar humano de consumo dessa carne, depois do abate que nós fazemos no Brasil e todas as indústrias realmente estão de acordo com as práticas internacionais e são protocolos que são aceitos em praticamente todos os países do mundo", complementa a diretora.
