Imposto de Renda

IRPF 2026: Declaração pré-preenchida garante prioridade na restituição?

Especialistas comentam benefícios de optar por modalidade iniciada em 2021 e que deve atrair 60% dos contribuintes neste ano

A Receita Federal do Brasil começou a receber as declarações do Imposto de Renda para Pessoa Física nesta segunda-feira (23/3). Em 2026, o calendário de restituição dos tributos teve um decréscimo de cinco para quatro lotes — começa no dia 29 de maio e termina no dia 28 de agosto. A expectativa da Receita é restituir 80% dos contribuintes até o segundo lote, no fim de junho.

Presente desde 2021 no cronograma oficial do IR, a declaração pré-preenchida é uma modalidade que atrai cada vez mais contribuintes. A expectativa é que neste ano pelo menos 60% das declarações sejam realizadas nesse formato. Além disso, quem opta por fazer desta forma tem prioridade na restituição do imposto, de acordo com a ordem estabelecida e divulgada pela Receita Federal:

  • idosos acima de 80 anos;
  • idosos entre 60 e 79 anos;
  • contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave;
  • contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
  • contribuintes que adotarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix;
  • contribuintes que adotarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição via Pix.

A declaração pode ser realizada por meio do programa da Receita Federal ou do aplicativo "Meu Imposto de Renda". Independentemente da plataforma utilizada, o contribuinte pode optar entre a declaração em branco, a declaração pré-preenchida ou a declaração a partir dos dados da declaração do ano anterior.

Para além da restituição antecipada, o advogado tributarista Guilherme Galdino, do escritório Advocacia Galdino, explica que a declaração pré-preenchida apresenta diversas vantagens. “Primeiramente, ela disponibiliza as informações recebidas pela Receita Federal sobre o contribuinte, permitindo que ele visualize seus rendimentos, evitando esquecimentos e assegurando o preenchimento completo”, destaca.

Apesar disso, o especialista alerta que a responsabilidade pela declaração é sempre do contribuinte, independentemente do uso da declaração pré-preenchida. “Portanto, é imprescindível verificar cada item lançado. Em caso de fiscalização e questionamento por parte da Receita Federal, o contribuinte deve apresentar os documentos comprobatórios das informações prestadas”, complementa.

Restituição maior

Alguns tipos de rendimento normalmente garantem restituições maiores para o contribuinte. Entre as principais, estão despesas médicas, gastos com educação, dependentes, pensão alimentícia judicial e contribuições para previdência privada do tipo Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), como explica a advogada Sueny Almeida, especialista em Direito Tributário do escritório Veloso de Melo.

“As despesas médicas costumam ser uma das deduções mais relevantes porque não têm limite de valor, desde que devidamente comprovadas”, destaca a advogada, que lembra que entre as informações que os contribuintes mais esquecem de declarar estão pequenos rendimentos, como valores recebidos de trabalhos eventuais, rendimentos de aplicações financeiras ou aluguéis. “Também é comum que algumas despesas médicas ou educacionais deixem de ser incluídas por falta de organização dos comprovantes”, pontua.

Outro erro frequente citado pela especialista é a omissão de informações sobre dependentes ou a inclusão incorreta deles, o que pode gerar inconsistências na declaração. “Uma boa prática é reunir todos os informes de rendimento e comprovantes de despesas antes de iniciar o preenchimento da declaração, além de conferir a versão pré-preenchida disponibilizada pela Receita Federal”, completa a advogada.

 

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