Moradores e comerciantes da W3 acumulam reclamações sobre a sensação de insegurança na região. As ações de policiamento compõem uma das formas de enfrentar o problema. Em entrevista ao Correio, o coronel Carlos Eduardo Melo de Souza, subsecretário de Operações Integradas Centro de Integrado de Operações de Brasília (Ciob), detalhou que o patrulhamento ocorre de forma constantes e que as regiões adjacentes também são consideradas. "Você não consegue tratar da Asa Sul, da W3 Sul, W3 Norte, sem falar dos parques que estão localizados próximos a essas áreas, porque tudo envolve deslocamento de pessoas, e essa aglomeração cria oportunidades para o crime também", explica.
- Leia mais do especial: W3 — a avenida de Brasília
No topo das reclamações, segundo ele, estão as questões relacionadas a pessoas em situação de rua. Nesses casos, no entanto, a Segurança Pública só atua quando há crime ou para suporte a ações de acolhimento de outras pastas. No balanço mais atualizado, a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) informou que o programa Acolhe-DF realizou mais de 700 abordagens sociais em diferentes regiões do DF de julho 2025 a 10 abril deste ano. O foco tem sido pessoas que enfrentam dependência de álcool e outras drogas. Do total, 253 aceitaram ser encaminhadas para unidades terapêuticas conveniadas e fiscalizadas pela pasta. Nesses espaços, os acolhidos recebem acompanhamento especializado para o tratamento da dependência química, além de apoio psicossocial voltado à reconstrução de vínculos familiares e comunitários, de acordo com a Sejus.
Durante a última semana, uma tenda itinerante foi montada próxima ao comércio da Quadra 716 Norte, onde permaneceu até a sexta-feira (17/4). No local, são oferecidas orientações à população, além da realização de abordagens sociais e encaminhamentos de pessoas que necessitam de atendimento. Confira os principais trechos da entrevista com o coronel Carlos Eduardo Melo de Souza sobre as ações da Polícia Militar na região:
Como funciona o policiamento nas vias W3 Sul e Norte?
A Polícia Militar, especificamente, tem lá um trabalho com o Batalhão Escolar, aliado ao Batalhão de Área, que tem o seu patrulhamento de maneira rotineira para fazer o controle dessas regiões. Isso envolve também o Parque da Cidade. Você não consegue tratar da Asa Sul, da W3 Sul, W3 Norte, sem falar dos parques que estão localizados próximos a essas áreas, porque tudo envolve deslocamento de pessoas, e essa aglomeração cria oportunidades para o crime também. Esse patrulhamento é feito basicamente motorizado. Eventualmente, a pé. Em determinados momentos, ele também é feito a cavalo e, em circunstâncias extraordinárias, há um patrulhamento aéreo, com helicóptero - tanto Polícia Civil quanto Militar.
Há um número fixo de viaturas e agentes de segurança?
A estrutura policial tenta empregar o máximo de viaturas que ela pode, o que depende de disponibilidade de recurso, tanto de pessoas quanto de veículos. Isso porque esses veículos rodam 24 horas por dia, praticamente não para. Depois de um determinado período, ele tem de passar por uma manutenção, e nisso pode haver a substituição ou não, dependendo da disponibilidade de um veículo reserva. Tem uma rotina de deslocamento dentro da área de patrulhamento, tanto na Sul quanto na Norte, mas não é a mesma unidade responsável. Porém, a Polícia Militar emprega recursos de outras unidades em patrulhamento nessas duas regiões também, entra Rotam (Ronda Ostensiva Tática Motorizada) e a própria cavalaria, por exemplo.
Qual a principal reclamação hoje em relação à segurança?
A Rede de Vizinhos Protegidos é a maior a maior rede de comunicação que o cidadão tem hoje para conversar com a Polícia militar e acionar o serviço e, de fato, hoje o campeão de reclamações são questões envolvendo pessoas em situação de rua.
- Leia também: Mais de 25 mil carros passam pela W3 diariamente
Nesse casos, em que situações a população pode acionar a Polícia?
Acionar a Polícia somente pela presença de uma pessoa é situação de rua é discriminatório, não é viável o acionamento da polícia nessas condições. Porém, já tivemos casos de agressão de mulheres por pessoas em situação de rua, sem motivo aparente, em locais públicos e comércios locais. Nesses casos, é cabível o acionamento da Polícia, e é interessante mencionar que a atuação policial segue o protocolo normal, porque ele não está ali na hora na condição de vulnerável, mas, sim, na condição de um criminoso.
As políticas voltadas para a população em situação de rua fazem parte de um trabalho multissetorial. Qual o papel da SSP nesses casos?
A política pública voltada para a população em situação de rua fica sob responsabilidade da Casa Civil. Dentro desse guarda-chuva, temos todas as secretarias que prestam atendimento direcionado, e a pasta da Segurança Pública é uma delas. Nós conduzimos as reuniões aqui e estabelecemos a relação de segurança para que essas pessoas possam realizar os seus trabalhos. Nós temos também atuação integrada na parte de acolhimento e, às vezes, na retirada e remoção dessas pessoas também, acompanhando a distribuição dos benefícios, seja a oferta de trabalho, seja passagem para que ele possa retornar para o estado de origem, ou a internação no sistema de saúde para que ele possa tratar da saúde dele, caso esteja envolvido com o vício em drogas. Essa não é uma internação compulsória, é voluntária.
