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As 4 seleções finalistas das Copas da Ásia e África têm técnicos estrangeiros

Em tempos de debate sobre a quantidade de técnicos estrangeiros no Campeonato Brasileiro, os quatro finalistas da Copa da Ásia e da Copa Africana de Nações são liderados por treinadores importados

Bartolomé
Bartolomé "Tintín" Márquez pode levar o Catar ao bi da Copa da Ásia - (crédito: Divulgação/QFA)
postado em 10/02/2024 03:55

As finais de dois torneios continentais de seleções neste fim de semana reforçam o combate à xenofobia entre os 211 países filiados à Fifa. Em tempos de debate sobre a quantidade de técnicos estrangeiros no Campeonato Brasileiro, os quatro finalistas da Copa da Ásia e da Copa Africana de Nações são liderados por treinadores importados.

O espanhol Bartolomé "Tintín" Márquez pode levar o Catar ao bi asiático em edições consecutivas se derrotar a surpreendente Jordânia na decisão entre as nações árabes. O adversário no duelo de hoje, às 12h, no Lusail Stadium, palco da final do Mundial de 2022, é comandado por um profissional nascido no Marrocos.

Amanhã, às 17h, o francês Emersé Faé tentará brindar a Costa do Marfim com o tri da Copa Africana. O primeiro em casa. A decisão contra a Nigéria será no Alassane Ouattara Stadium, em Abidjan. O treinador de 40 anos nasceu em Nantes, mas escolheu os Elefantes. Em 2006, ele amargou o vice contra o Egito com a geração de Didier Drogba e Yaya Touré. A prancheta caiu no colo durante a competição depois da demissão de Jean-Louis Gasset e ele pode reescrever a história. A Nigéria também aposta em um profissional nascido fora do país: o português José Peseiro.

Considerado absurdo no Brasil, o projeto frustrado da CBF de delegar a Seleção Brasileira ao italiano Carlo Ancelotti é normal na Família Fifa. O Catar pode conquistar a taça pela segunda vez sob a batuta de um espanhol. Felix Sánchez Bas era o mentor da taça inédita de 2019. Cinco anos depois, "Tintín" Márquez pode repetir o feito.

Aos 62 anos, o catalão de Barcelona construiu a história no Espanyol. Em dezembro, deixou o Al-Wakrah para herdar o emprego do lusitano Carlos Queiroz. A Copa da Ásia pode ser o primeiro título dele. Do outro lado estará Hussein Ammouta. O marroquino de 54 anos é o protagonista da melhor história do torneio. Ele desbancou na semifinal uma das favoritas: a Coreia do Sul. Venceu o duelo tático com o alemão Jürgen Klinsmann.

Ammouta tem história no continente asiático. O auge estampado no currículo é o título da Champions League da Ásia de 2017. Guiou o Wydad Casablanca ao título contra o Al Ahly. Comandou jogadores como Raúl González, Rodrigo Tabata e Grafite no Catar. Aprendeu a lidar com estrelas antes do sucesso com operários. Esse é o perfil da Jordânia. A média de idade é de 28,3 anos. O campeonato local é fraco. Longe de ser referência. No entanto, o país de 11 milhões de habitantes produz talentos. Nações da região, e até mesmo da Europa, pinçam diamantes. Dos 26 convocados para a Copa da Ásia, 10 jogam no exterior.

Um dos heróis da classificação, o camisa 10 Mousa Al-Taamari defende o Montpellier. Conquistou espaço depois de marcar 10 gols e distribuir nove assistências na temporada passada do Campeonato Belga pelo Leuven. Ele é um dos dois meias no sistema 3-4-2-1. Quem ainda não conseguiu emprego no Velho Mundo trabalha em ligas importantes do Oriente Médio, como a Saudi Pro League ou Qatar Stars League.

A Jordânia ocupava a posição 87 no ranking da Fifa antes da Copa da Ásia. Desbancou dois campeões continentais no mata-mata: Iraque, nas oitavas, e a Coreia do Sul, nas semis. Antes, enfrentou o Tajiquistão. De ressaca depois da classificação, a capital Amã vive a expectativa da final. A melhor colocação do país na história da Copa da Ásia foi nas quartas de final de 2004 e 2011. O título inédito é palpável. Dos últimos quatro campeões, três ergueram o troféu pela primeira vez: Iraque (2007), Austrália (2015) e Catar (2019). Marrocos terminou a Copa em quarto. Catorze meses depois, um marroquino faz a Jordânia sonhar.

África

A Copa Africana de Nações é uma fábrica de histórias surpreendentes. Anfitrião, a Costa do Marfim trocou um francês por outro durante o torneio. Jean-Louis Gasset foi demitido na última rodada da fase de grupos depois de os Elefantes sofrerem uma goleada por 4 x 0 para Guiné-Equatorial.

O país delegou a prancheta ao interino Emerse Faé. O ex-jogador do Nantes, Reading e Nice fazia parte da comissão técnica. Ele mostrou competência no mata-mata. Nas oitavas de final, os anfitriões eliminaram Senegal, atual campeão. Na sequência, derrubaram Mali e Congo. Em 1992, o marfinense Yeo Martial brindou o país com o título inédito. Na versão de 2015, o francês Hervé Renard protagonizou o bi.

A possibilidade do tri será decidida contra a Nigéria. Andarilho, o português de 63 anos disputou a Copa América com a Venezuela. Vice da Liga Europa em 2004/2005 pelo Sporting, ganhou espaço no continente africano ao levar o Al Ahly ao título do Campeonato Egípcio de 2015/2016. A única experiência em seleções havia sido na Arábia Saudita. Antes, havia sido assistente do compatriota Carlos Queiroz no Real Madrid.

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