
A final do Candangão 2025 está marcada pela expectativa de recorde de público, neste sábado (29/3), às 16h, no Mané Garrincha. No entanto, entre os mais de 45 mil torcedores esperados no estádio, dois especiais fazem parte dos bastidores da campanha que pode culminar no título do estadual e representam bem o espírito dos times. Do lado do Capital, o garoto João Victor Ferreira, de 15 anos, atua como jovem-aprendiz e quer ver o clube ser campeão pela primeira vez, enquanto o veterano Antônio Leite Carvalho, de 52, ostenta mais de duas décadas como roupeiro no Gama e sonha em adicionar mais um caneco na prateleira alviverde.
A história de João Victor com o Capital começou de forma inusitada. Nascido no Paranoá, ele conheceu a Coruja em 2021, através do massagista do clube, que era amigo do primo do garoto. Encantado pelo projeto, que havia mudado recentemente para a cidade, Piupiu, como é apelidado, começou a matar aula no colégio para ir ao estádio JK acompanhar o treino dos profissionais. A rotina era sair da Escola Classe 04, pegar o ônibus e ficar observando os atletas de longe, até receber o convite de ser jovem-aprendiz, com uma condição: não faltar mais a escola.
“Eu sempre tentava ir lá, estava até de mochila, e ficava na arquibancada assistindo. Sempre me oferecia para ajudar e depois tive essa oportunidade. Foi o Celso Teixeira que me deu a chance quando fui falar com ele e hoje sou ajudante de roupeiro. Venho para o clube depois que saio do colégio”, contou ao Correio.
O amor pelo clube é tão grande que fez o garoto deixar de torcer para o Flamengo e afirmar que o time do coração é o Capital. João chegou a jogar na base da Coruja, mas uma lesão no tornozelo o deixou parado por oito meses. Por isso, o sonho que aflorou foi o de crescer nos bastidores, inspirado pelo presidente, Godofredo Gonçalves.
“Eu lembro em 2023, quando a gente foi eliminado para o Brasiliense. O presidente deu um discurso no vestiário e me motivou muito. Gosto muito dele, um cara muito inteligente, me deu uma oportunidade de estar acompanhando o time, mesmo novo, e é uma responsabilidade grande. Quero aproveitar e crescer aqui”, acrescentou João.
No vestiário oposto do jogo no Mané Garrincha, Antônio já perdeu a conta do tempo que está trabalhando no Gama. O começo do paraibano no Periquito foi a convite do irmão, que era funcionário do clube. Porém, o parente saiu e Tonho, como é chamado no alviverde, segue até hoje como um dos nomes mais queridos do maior campeão da capital.
“Sou o funcionário mais antigo aqui, foi quase metade da minha vida e desde o começo fui bem recebido. Eu amo esse time, me identifico muito. O Gama é a minha história, é meu pão de cada dia. Hoje toda minha família é torcedora gamense”, compartilhou Antônio.
Mesmo presente em outras conquistas do alviverde, como no Candangão de 2015, 2019 e o último em 2020, o coração do roupeiro está batendo mais rápido para a nova final. Ele assumiu o misto de sentimentos, que vão do êxtase a ansiedade, e o recado para os atletas.
“Tenho que falar para eles que hoje é o nosso dia, é dia do Gama. Vai ser um momento bom na nossa história e vou fazer tudo com mais carinho, é minha parte, dar o melhor para os jogadores. Trabalhamos muito e conseguimos chegar em outra decisão, então você não sabe a alegria que eu estou”, comentou.
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