
De Brasília para o mundo, o garoto João Cardoso, de 12 anos, nascido na capital federal, é hoje um dos nomes mais promissores do atletismo juvenil internacional. Neste mês de agosto, ele brilhou no AAU Junior Olympic Games, a maior competição de base do atletismo americano e uma das mais relevantes do mundo, conquistando o título de All-American nos 3000m.
A honraria é concedida apenas aos oito melhores de cada prova, colocando o menino na elite do esporte entre jovens de sua idade.
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O evento, realizado em Humble, no Texas, reuniu cerca de 14 mil competidores apenas no atletismo. Por lá já passaram atletas que mais tarde se tornaram lendas olímpicas, como Florence Griffith-Joyner, Carl Lewis e Sha’Carri Richardson. A conquista dele é ainda mais impressionante quando comparada à realidade do Brasil, onde não há competições dessa magnitude para crianças. "No Brasil, não existem provas similares para a idade de João. A oferta de competições para crianças é extremamente baixa, e mesmo um dos maiores eventos do país, o Troféu Brasil de Atletismo, não reúne sequer 900 atletas em todas as categorias", disse o pai, Thiago Cardoso.
Dedicação
O caminho até o pódio foi fruto de um ano inteiro de preparação. Em 2024, João havia terminado na 14ª colocação nos 3000m. Saiu de lá com a meta de voltar no ano seguinte para estar entre os oito primeiros. Intensificou treinos, manteve acompanhamento nutricional, investiu em preparação mental e disputou provas estratégicas para ganhar experiência.
A final deste ano foi uma das mais difíceis de sua curta, mas intensa, carreira. Com temperaturas acima de 38°C, ritmo forte desde o início e adversários com currículos impressionantes, o brasiliense manteve a calma e seguiu a estratégia traçada com o treinador. Na última volta, acelerou e garantiu a 6ª colocação geral. "Foi a prova mais dura e, ao mesmo tempo, mais gratificante até aqui", contou.
Versátil, ele compete em diferentes distâncias, mas tem afinidade especial com provas de meio-fundo, como 1500m e 3000m, que unem resistência e velocidade. No futuro, pretende disputar também 3000m com obstáculos e 5000m.
Seus resultados já impressionam: 1º lugar em várias provas da temporada AAU 2025, título de All-American nos 3000m, campeão estadual da Middle School na Flórida em 2024 e melhor tempo da Flórida para sua idade nas duas milhas em cross country.
O objetivo atual é disputar as Olimpíadas de 2032, possivelmente antecipando a estreia para os Jogos de Los Angeles em 2028. Para chegar lá, conta com uma equipe multidisciplinar formada por um treinador de corrida, uma coach mental, um nutricionista, além de fisioterapeuta e equipe de recuperação. A base de tudo, no entanto, está no apoio incondicional dos pais, que equilibram disciplina e afeto para garantir que ele mantenha a alegria no esporte sem abrir mão da infância.
Raízes
Apesar de ter se mudado para os Estados Unidos com apenas 2 anos de idade, ele mantém a conexão com o Brasil no dia a dia. Em casa, o português é a única língua falada, hábito incentivado pela mãe. O futebol também é peça importante nessa ligação, com o menino acompanhando times e ídolos brasileiros. "Representar o Brasil é um sonho e uma responsabilidade. Não é apenas vestir a camisa, mas carregar a história, a cultura e a paixão de um país inteiro. Quero fazer parte de uma nova geração que leve nosso atletismo a um patamar mais alto", afirmou.
Fora das pistas, leva uma vida ativa, mas equilibrada. Gosta de jogar futebol, andar de bicicleta, cozinhar em família, assistir filmes e ler. O uso de eletrônicos é limitado para incentivar atividades físicas e ao ar livre. Curioso, o menino é apaixonado por carros e está sempre em busca de aprender algo novo. No esporte, se inspira em nomes como Alison dos Santos, pela resiliência, e Noah Lyles, pela confiança em grandes competições. Fora dele, admira Cristiano Ronaldo pela disciplina e Ayrton Senna pelos valores humanos.
Cidades DF
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