Campeonato Brasileiro de Snipe

Um lago, muitas gerações: campeonato de vela começa em Brasília

Evento reúne campeões olímpicos, jovens talentos e histórias que atravessam gerações no Lago Paranoá

Grávida de seis meses e meio, Juliana Duque compete ao lado do marido e parceiro de barco, Rafa, no Brasileiro de Snipe, em Brasília -  (crédito: Fred Hoffmann)
Grávida de seis meses e meio, Juliana Duque compete ao lado do marido e parceiro de barco, Rafa, no Brasileiro de Snipe, em Brasília - (crédito: Fred Hoffmann)

O Lago Paranoá volta a ser o centro da vela nacional com a realização do 76º Campeonato Brasileiro de Snipe, que reúne mais de 100 atletas de todo o país no Iate Clube de Brasília, entre hoje (27/1) e 31 de janeiro. Considerada a classe mais tradicional da vela brasileira, o Snipe coloca frente a frente campeões olímpicos, jovens talentos e tripulações que atravessam gerações, em um dos campeonatos mais técnicos e disputados do calendário.

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Poucas classes da vela brasileira carregam tanto simbolismo quanto o Snipe. Por suas flotilhas passaram nomes como Torben Grael, Robert Scheidt e Lars Grael — atletas que ajudaram a construir a história olímpica do país. “O Snipe é a classe brasileira mais tradicional da vela. É uma base formadora de grandes talentos”, afirma Gustavo Raulino, diretor de Esportes Náuticos do Iate Clube de Brasília.

Além do peso histórico, a classe se destaca pelo caráter democrático: velejadores de 12 a 80 anos dividem a mesma raia, em igualdade de condições técnicas. “É uma classe que permite essa convivência rara entre gerações, algo muito valioso para o esporte”, completa Raulino.

Brasília no centro

Esta é a oitava vez que o Iate Clube de Brasília sedia o Campeonato Brasileiro de Snipe. Após 11 anos, o evento retorna ao clube, reforçando a importância da capital no cenário náutico nacional. “A última vez que sediamos o Brasileiro foi em 2015, com mais de 70 barcos no Lago Paranoá. Receber novamente esse campeonato é um reconhecimento da nossa capacidade técnica e operacional”, destaca Allan Godoy, coordenador técnico do clube.

Segundo a organização, cerca de 84 barcos e 164 velejadores, representando diversos estados brasileiros, estão inscritos para o campeonato.

Entre regatas e preparação, o casal mantém a rotina de competição mesmo durante a gestação de Juliana.
Entre regatas e preparação, o casal mantém a rotina de competição mesmo durante a gestação de Juliana. (foto: Fred Hoffmann)

O Lago Paranoá

Conhecido pelos ventos médios e inconstantes, o Lago Paranoá impõe um tipo de prova que exige leitura refinada e decisões rápidas. “A maioria dos velejadores do Brasil está acostumada ao mar, com vento forte e onda. Aqui, a ausência de ondas e a variação constante do vento criam uma dificuldade extra”, explica Gustavo Raulino. “Isso acaba favorecendo quem conhece bem o lago e sabe trabalhar com essas mudanças.”

Para muitos atletas, é justamente essa imprevisibilidade que torna o campeonato ainda mais atrativo. “É um lugar desafiador, onde nada está decidido até o último momento”, resume Juliana Duque, uma das velejadoras da competição. 

Favoritos e nomes consagrados

Entre os principais destaques está Alexandre Paradeda, maior vencedor da história do Brasileiro de Snipe, com 13 títulos. Ele busca a 14ª conquista, desta vez ao lado da filha, Melissa Paradeda. “Depois de ganhar 13 vezes, não muda nada. O importante é correr junto e se divertir”, afirma Paradeda. “Competir com uma filha é uma satisfação enorme.”

O campeonato também contará com o bicampeão olímpico Robert Scheidt, além de Nick Pellicano Grael, filho de Lars Grael, e do atleta do Iate Clube de Brasília Felipe Rondina, vice-campeão da edição de 2024.

Gravidez a bordo

Grávida de seis meses e meio, a velejadora Juliana Duque disputa o 76º Campeonato Brasileiro de Snipe, no Lago Paranoá, em Brasília, ao lado do marido e parceiro de barco, Rafael Martins. Mais do que uma competição, a regata se transforma em um capítulo simbólico de uma trajetória construída a dois, no esporte, na vida e agora na espera da filha, Lila.

Este é o primeiro, e último, campeonato nacional que Juliana disputa grávida. Aos seis meses e meio, ela já não poderá mais viajar de avião após o evento. “Tem muito mais coisa boa do que ruim. Todo mundo cuida, dá prioridade. O negativo são as dores na coluna”, conta.

Com 11 quilos a mais, as limitações são reais: menos escora no vento forte, mais impacto no vento fraco. Ainda assim, ela faz questão de estar ali. “Eu achei, por um tempo, que nem gostava mais de velejar. Aí engravidei, senti saudade e vim. É porque eu amo mesmo.”

A comunicação é apontada pelo casal como o diferencial da dupla. Um entendimento que dispensa explicações longas, algo que só o tempo e a convivência constroem. “A confiança é total. Às vezes nem precisa falar. Isso não acontece do mesmo jeito com outras duplas”, afirma Juliana.

A bordo do Snipe, Juliana Duque e Rafa transformam a parceria esportiva em uma travessia familiar
A bordo do Snipe, Juliana Duque e Rafa transformam a parceria esportiva em uma travessia familiar (foto: Fred Hoffmann)

Programação

25 de janeiro – domingo
12h – cerimônia de abertura

26 de janeiro – segunda
9h30 – regata de abertura/treino

27 a 31 de janeiro
9h30 – regatas

31 de janeiro – sábado
19h – encerramento e premiação

Como será

76º Campeonato Brasileiro de Snipe
Data: 27 a 31 de janeiro
Local: Iate Clube de Brasília

  • Entre regatas e preparação, o casal mantém a rotina de competição mesmo durante a gestação de Juliana.
    Entre regatas e preparação, o casal mantém a rotina de competição mesmo durante a gestação de Juliana. Foto: Fred Hoffmann
  • A bordo do Snipe, Juliana Duque e Rafa transformam a parceria esportiva em uma travessia familiar
    A bordo do Snipe, Juliana Duque e Rafa transformam a parceria esportiva em uma travessia familiar Foto: Fred Hoffmann
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postado em 27/01/2026 12:08 / atualizado em 27/01/2026 12:20
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