Copa do Mundo

Incerteza marca Copa do Mundo a 100 dias da abertura

Casa Branca vira o centro das atenções em meio à guerra. Risco de duelo entre EUA e Irã na segunda fase; possível desistência da seleção persa; e recorde de nações árabes ou de maioria islâmica na competição deixam Fifa em alerta

A 100 dias da abertura da Copa do Mundo na América do Norte no duelo entre México e África do Sul no Estádio Azteca, em 11 de junho, às 16h (de Brasília), a Fifa abre contagem regressiva para a 23ª edição do evento em meio à escalada da Guerra no Oriente Médio. Líder da ofensiva militar contra o Irã iniciada no último sábado, os Estados Unidos receberão 78 jogos. O Canadá abrigará 13, e o México, outros 13. A partir das quartas de final, todas as partidas serão em solo estadunidense. Até lá, um campo minado deixa o evento em xeque.

Classificado via Eliminatórias da Ásia, o Irã está no Grupo G. A seleção persa enfrentará a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles. O último compromisso na fase de grupos é contra o Egito, em Seattle. Uma questão perturba a Fifa. Se o Irã avançar em segundo lugar e os Estados Unidos na mesma posição do D contra Austrália, Paraguai e um adversário europeu vindo da repescagem, os dois países em conflito medirão forças na fase de 16 avos em 3 de julho, véspera do Independence Day, no AT&T Stadium, casa do Dallas Cowboys, em Arlington, no Texas. Aliado dos EUA nos ataques, Israel está fora do torneio. A única participação foi na Copa do Mundo de 1970 no México. Por questões de segurança, o país participa das Eliminatórias na Europa.

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O presidente da Federação Iraniana de Futebol é Mehdi Taj. Em entrevista à tevê estatal, o dirigente avaliou o impacto da guerra no planejamento da seleção do Irã para a Copa. "É improvável que possamos pensar com esperança na disputa da Copa do Mundo, mas quem precisa decidir sobre isso são os comandantes do esporte", afirmou no último sábado.

"Tivemos uma reunião. É prematuro comentar em detalhes, mas vamos acompanhar os desdobramentos em torno de todas as questões ao redor do mundo", limitou-se a dizer o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom.

A Fifa não lida com desistência de um classificado desde a Copa de 1950 no Brasil. À época, a Turquia alegou dificuldades financeiras e de logística. A Índia também, embora tenha colado historicamente a folclórica proibição de jogar a competição descalço. A primeira edição do torneio no país ficou com 13 combinados nacionais.

A última seleção a abrir mão da Copa por justificativa bélica foi a Espanha. A Guerra Civil de 1936 a 1939 impossibilitou a Fúria de disputar a Copa de 1938. A Argentina recusou-se em protesto contra a escolha da Fifa pela França como anfitriã. Campeão em 1930, o Uruguai se solidarizou com o vizinho sul-americano alegando desrespeito ao princípio do rodízio. A edição anterior havia sido na Itália. Em represália, a AFA e a AUF preferiram não embarcar rumo ao Velho Continente.

A guerra não se restringe a EUA, Israel e Irã. Ganhou contorno regional. Outros países do Oriente Médio classificados para a Copa estão sob ataque ou fazem parte do mapa do conflito. São os casos da Arábia Saudita, do Catar e da Jordânia. O Iraque disputará uma vaga na repescagem mundial contra o remanescente do confronto entre a Bolívia e o Suriname.

A guerra deflagrada por EUA e Israel afeta seleções de maioria muçulmana. A Copa de 2026 terá recorde de nações adeptas do islamismo: Irã, Arábia Saudita, Qatar, Jordânia, Marrocos, Tunísia, Egito, Argélia, Senegal e a Costa do Marfim. O Iraque depende da repescagem.

A pressão sobre a Fifa também diz respeito a decisões contraditórias. A entidade excluiu a Rússia das competições desde o início dos ataques à Ucrânia. Há quem defenda a mesma postura em relação aos EUA devido aos ataques à Venezuela para prender o presidente Nicolas Maduro; e ao Irã, culminando na morte do aiatolá Ali Khamenei.

México

Antes da guerra no Oriente Médio, o foco de tensão estava no México. A morte de um dos principais narcotraficantes do país em uma operação militar desencadeou uma onda de protestos. A violência crescente tomou conta de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, para onde estão previstas quatro partidas da Copa do Mundo.

Tanto Infantino quanto a presidente mexicana Claudia Sheinbaum garantiram que a crise não prejudicará o torneio. "Muito tranquilo, está tudo bem", amenizou o presidente Gianni Infantino em uma reunião na Colômbia na semana passada.

 


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