Dez anos de espera para voltar a disputar uma semifinal de Novo Basquete Brasil (NBB). Uma temporada de resgate de orgulho, que termina com eliminação para o Franca no quinto jogo do último pedágio pela final contra o Pinheiros. Nesta quinta-feira (28/5), o Brasília foi ao limite contra o atual tetracampeão nacional e perdeu por 68 x 66 no Ginásio Pedrocão.
Em uma noite tensa, o Brasília chegou a ter 20 pontos de desvantagem e, nos últimos segundos, teve em mãos a chance de empatar e até virar. Entretanto, pesou a eficiência de Lucas Dias, cestinha da partida a serviço do Franca, com 21 pontos. Pelo time da capital federal, o armador Facundo Corvalan foi o destaque, com 18 anotados.
Os donos da casa, tetracampeões nacionais, defendiam um trono que parecia eterno. Os visitantes, também donos de quatro troféus, conquistados em 2006, 2010, 2011 e 2012, chegaram com o apetite de quem esperou tempo demais para ir tão longe.
Antes de a bola subir, os treinadores davam o tom do duelo. Em entrevista, ambos reconheceram o peso daquele momento: um jogo cinco pede mais do que talento, pede caráter. São noites como essa que separam os atletas dos ídolos.
Os protagonistas não tardaram a se apresentar. Lucas Dias abriu de três pelo Franca, enquanto Corvalan respondeu no aro para o Brasília. A liderança trocou de mãos três vezes nos primeiros cinco minutos, mas os paulistas puniram os erros adversários. Com Lucas Dias e Georginho somando 16 pontos apenas no primeiro quarto, os anfitriões fecharam a parcial com 21 x 15.
No segundo quarto, o Franca não tirou o pé. Georginho, MVP da temporada, alcançou 10 pontos e reforçou o status de melhor jogador de 2025/2026. Enquanto isso, o Brasília seguia com erros de passe, rebotes malaproveitados e muito nervosismo.
A vantagem do Franca ultrapassou os 10 pontos e forçou o pedido de tempo do técnico Dedé Barbosa, do Brasília. A conversa à beira da quadra não surtiu efeito. Os paulistas mantiveram o ritmo e foram ao intervalo na liderança com 42 x 26 no placar.
O que era difícil se tornou ainda mais complicado. Na volta dos vestiários, o Franca abriu 20 pontos e seguia implacável. Era jogo de um time só. Mas o valente Brasília não se entregou. A dobradinha Crescenzi e Corvalan funcionou na reta final do terceiro quarto e encurtou a diferença para 11 na pontuação.
O impossível deu lugar à possibilidade da virada. Os Extraterrestres, tanto tempo atrás no placar, começaram a se aproximar. O treinador brasiliense, Dedé Barbosa, pediu tempo e fugiu da tática para inspirar os jogadores: "É a nossa última gota de suor. Vamos dar as nossas vidas", discursou.
A vantagem de 20 pontos havia murchado para três. A um minuto do fim, o Brasília perdia por um e tinha a posse. Ou seja, a virada estava nas próprias mãos. O Franca, porém, fechou-se, não cedeu pontos e recuperou a bola.
A partida virou uma batalha de faltas. Laterza foi à linha e converteu apenas o segundo lance. O Brasília tinha a bola com 23 segundos no relógio. Era tudo ou nada. Paulichi tentou arremesso de três e falhou. Foi o último ato: o Franca avançou para a final.
O Brasília, após uma temporada de muitas surpresas positivas e superação, despedia-se, não em silêncio, mas com o barulho de quem deixou tudo em quadra.
*Estagiário sob a supervisão de Victor Parrini
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