
Vestidos de verde e amarelo antes mesmo de deixarem a maternidade, recém-nascidos do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) entram no clima da Copa do Mundo. Eles recebem touquinhas confeccionadas com as cores brasileiras. Há 10 anos como técnica de enfermagem do Centro Cirúrgico Obstétrico (CCO), Renata Alves começou a produzir artesanalmente o adereço para os bebês como um gesto de cuidado. Segundo a profissional, quando as crianças nascem, acabam perdendo muito calor, principalmente na região da cabeça. Então, para precaver uma possível hipotermia nos recém-nascidos, começou a fazer as toucas com a malha tubular, disponibilizada pelo hospital. Com o tempo, a profissional foi se aperfeiçoando e começou a decorar de acordo com as festividades.
Nos dias de plantão, entre uma cirurgia e outra, Renata e a equipe usam o tempo livre para a produção das toucas. Ela, inclusive, dedica o próprio horário de almoço para as confecções. "Às vezes, eu almoço e tiro a minha uma hora sentada para fazer as touquinhas. Nós todas da equipe temos um intervalo de uma cirurgia para a outra, aí nós vamos fazendo", explicou.
Este ato de dedicação e carinho da equipe em transformar uma simples touca em algo tão simbólico, vem gerando frutos. "Tem relatos de pacientes que já passaram por aqui, tiveram filhos aqui há alguns anos e retornaram para o nascimento de outros filhos e nos contam ter a touquinha guardada como lembrança. Elas falam que foi a primeira touca do bebê e guardam com muito carinho", contou Renata.
Enquanto o Brasil acompanha todos os passos da Seleção na Copa do Mundo de 2026, a equipe do Centro Cirúrgico Obstétrico do HRSM brinca com uma possibilidade: a futura safra de jogadores brasilienses defendendo a camisa verde-amarela em 2050 saírem deste berçário. Segundo uma pesquisa levantada pelo Correio, 17 de junho é o dia com mais jogadores de seleções do mundo todo comemorando o aniversário como Jordan Henderson da Inglaterra e Brian Gutiérrez, do México. Justamente naquele dia, no Hospital de Santa Maria, nasceu um garoto com nome de jogador: o Bento. Esse nome remete ao brasileiro e curitibano Bento Matheus Krepski, atual goleiro do Al Nassr, com passagem pelo Athletico Paranaense. Mas o brasiliense, no entanto, já carrega no sangue o amor corintiano do pai Brunno dos Santos, afirmando que será mais um para o "bando de loucos". Sobre o carinho da equipe da maternidade com o filho, Brunno exalta a iniciativa. "É muito interessante ver o cuidado, ainda mais porque isso exige muito e por elas mesmo fazerem, deixa tudo mais legal", pontua.
Em 2026, com Endrick e Igor Thiago, Brasília quebrou o jejum de 16 anos sem ter brasilienses convocados para a Copa do Mundo. A última vez que o DF teve dois representantes à disposição da Seleção foi em 2010, com Kaká e Lúcio. Talvez, a nova safra de jogadores representantes do Brasil no futuro, já está nascendo e, antes mesmo de vestir a camisa da amarelinha, os craques recebem o gorro com as cores verde-amarela.
*Estagiária sob supervisão de Jailson Sena

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