
New Jersey — O duelo entre Espanha e Arábia Saudita, hoje, às 13h, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, pela segunda rodada do Grupo H da Copa do Mundo, vai muito além da disputa por uma vaga nos 16 avos de final. Os dois países estreitaram laços no futebol nos últimos anos, impulsionados por interesses econômicos, intercâmbio de profissionais e pela ambição de ocupar posições de protagonismo na indústria mais valiosa do esporte.
O confronto ganha contornos mais interessantes quando se observa os movimentos extracampo. Desde 2020, a Supercopa da Espanha é realizada em território saudita. O acordo milionário aproximou a Real Federação Espanhola de Futebol do projeto esportivo do país do Oriente Médio e abriu caminho para uma relação cada vez mais íntima.
Ao mesmo tempo, a Saudi Pro League transformou-se em um dos principais polos de investimento do futebol mundial. Sustentada pelos recursos do Public Investment Fund (PIF), estimado em mais de US$ 900 bilhões em ativos, a liga atraiu estrelas internacionais, ampliou a audiência global e passou a recrutar profissionais reconhecidos do futebol espanhol para acelerar o processo de desenvolvimento.
Entre eles estão Fernando Hierro, diretor esportivo do Al-Nassr, e Ramón Planes, ex-dirigente do Barcelona, atualmente vinculado ao Al-Ittihad. Técnicos, analistas e gestores espanhóis participam de projetos de formação e modernização do futebol saudita. Exportam métodos que ajudaram a consolidar a Espanha como potência da modalidade.
Tradição e avanços
O encontro de hoje reúne, portanto, duas das ligas nacionais mais comentadas do planeta. De um lado, La Liga, com 86 jogadores inscritos na Copa, impulsionada pela força global de clubes como Real Madrid e Barcelona. Do outro, a Saudi Pro League, vitrine de investimentos bilionários destinada a acelerar a internacionalização do futebol local e a preparar o país para hospedar a Copa do Mundo de 2034. O campeonato nacional da Arábia Saudita é o primeiro de fora da Europa em quantidade de convocados, com 49.
A Espanha entra em campo carregando o peso da tradição e a responsabilidade de confirmar o favoritismo. A Arábia Saudita deseja provar que os avanços dos últimos anos vão além do marketing e dos contratos milionários.
A partida oferece ainda à Fúria a oportunidade de desafiar uma das estatísticas mais curiosas do futebol moderno. Campeã da Euro 2024, a equipe comandada por Luis de la Fuente tenta fazer o que ninguém do Velho Mundo consegue desde 2010: conquistar a Copa do Mundo na condição de campeã continental vigente.
A última seleção a cumprir essa missão foi justamente a Espanha. Depois de levantar a Eurocopa em 2008, conquistou o Mundial da África do Sul em 2010. Desde então, os campeões europeus acumularam decepções. A Espanha campeã da Euro de 2012 caiu ainda na fase de grupos da Copa de 2014. Portugal, vencedor da Euro de 2016, parou nas oitavas de final em 2018. A Itália, campeã da Euro de 2021, sequer conseguiu classificação para a Copa de 2022.
Os espanhóis tentam encerrar essa escrita. A missão passa pelos pés de Lamine Yamal. Principal joia da nova geração, o atacante entrou no segundo tempo do empate sem gols contra Cabo Verde e mudou o ritmo da equipe. Recuperado de uma lesão muscular sofrida no fim da temporada europeia, ele é a principal dúvida para a escalação inicial. Caso seja confirmado entre os titulares, formará ao lado de Nico Williams e Mikel Oyarzabal um dos trios ofensivos mais talentosos desta Copa do Mundo.
A Arábia Saudita desembarca em Atlanta motivada pelo empate por 1 x 1 com o Uruguai na estreia. A equipe comandada por Giorgos Donis surpreendeu ao abrir o placar, mostrou solidez defensiva e aumentou a confiança do elenco. Embora tenha sofrido com a pressão uruguaia no segundo tempo, a atuação reforçou a percepção de que os sauditas podem oferecer mais resistência do que o esperado em um grupo embolado após a primeira rodada.
Saiba Mais
Uruguai encara Cabo Verde
Após o empate por 1 x 1 na estreia com a Arábia Saudita, o Uruguai está sob pressão no confronto de hoje, diante de um adversário complicado, Cabo Verde, que protagonizou uma das grandes surpresas da primeira rodada ao empatar em 0 x 0 com a Espanha, uma das favoritas da Copa do Mundo.
No retorno a Miami, a 'Celeste' terá que se aproximar da versão que sufocou a Arábia Saudita no segundo tempo para empatar, em vez do time lento e sem intensidade que disputou os primeiros 45 minutos.
O técnico do Uruguai, o argentino Marcelo Bielsa, insatisfeito com o elenco depois da estreia, não subestima o próximo adversário. "É uma equipe fisicamente sólida, tecnicamente apta e bem preparada. É um time de caráter", afirmou sobre Cabo Verde.

Esportes
Esportes
Esportes