Tênis

Campeão juvenil de Roland Garros, Guto Miguel evita euforia

Goiano radicado no Distrito Federal está de volta a Brasília e destaca foco nas competições juniores antes de pensar em categoria profissional

Goiano de nascimento e brasiliense de coração, Guto Miguel retornou à capital federal nesta semana com um feito inédito na bagagem. No sábado (6/6), o tenista de 17 anos derrotou o norte-americano Michel Antonius por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4, e conquistou o título juvenil de Roland Garros, um dos resultados mais importantes da história recente do tênis brasileiro na categoria.

Natural de Goiânia e criado em Goianésia, Guto se mudou para Brasília aos 14 anos para investir na carreira esportiva. Três anos depois, colhe os frutos da decisão. Além do troféu em Paris, o jovem acumula conquistas como a Copa Yucatán, o J300 Traralgon International, na Austrália, e títulos em torneios do circuito juvenil internacional. A campanha na França também o colocou no topo do ranking mundial da categoria, repetindo um feito alcançado anteriormente por João Fonseca.

Questionado sobre a pressão de ocupar o topo do ranking juvenil após o título de Roland Garros, Guto garante que o sucesso não mudou a rotina. O tenista afirma estar focado nos próximos compromissos e evita tratar a conquista como ponto de chegada.

“Eu não sinto muito o peso dessa responsabilidade. Logo após o título de Roland Garros, estava treinando e tenho outros campeonatos chegando. Sei que foi um grande feito para o tênis brasileiro, mas agora é seguir trabalhando com o pé no chão para conquistar mais troféus”, disse ao Correio.

Ao lado do atleta desde a mudança para Brasília, o técnico Santos Dumont acompanhou de perto a transformação do jovem dentro e fora das quadras. Segundo ele, a evolução passou não apenas pelos aspectos técnicos e físicos, mas também pelo amadurecimento necessário para competir em alto nível. 

“No começo, foi difícil discipliná-lo. Mas, com o tempo, ele mesmo colocou na cabeça que precisava se esforçar mais se quisesse alcançar conquistas maiores. Nós cuidamos muito da parte física, técnica e, principalmente, da mental dele. Hoje, ele joga como um campeão, e estamos trabalhando para que o Guto atinja o melhor nível. Esse, sim, é o nosso principal objetivo”, avaliou.

O título em Roland Garros colocou Guto Miguel no topo do ranking mundial juvenil, repetindo um feito alcançado recentemente por João Fonseca. Mesmo embalado pela melhor fase da carreira, o tenista prefere não acelerar a transição para o circuito profissional. A prioridade, por enquanto, é acumular experiência, evoluir no circuito de base e chegar mais preparado para os desafios da próxima etapa da carreira.

*Estagiário sob a supervisão de Victor Parrini

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