COLECIONISMO

Álbum da Copa de 2026 amplia gastos dos colecionadores e pode ultrapassar R$ 7 mil no Brasil

A expansão da Copa do Mundo para 48 seleções tornou a coleção da Panini a maior da história e elevou os custos para quem deseja completar o álbum

A paixão pelos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo ganhou um novo desafio em 2026. Com a ampliação do torneio de 32 para 48 seleções, a coleção oficial da Panini ficou maior, exigindo mais figurinhas e aumentando o investimento necessário para completar o álbum. De acordo com uma pesquisa da BBC News, o custo da coleção cresceu de forma significativa no Brasil e em diversos países, tornando esta a edição mais cara da história para os colecionadores. 

A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá e, pela primeira vez, contará com 48 seleções. Como consequência, o álbum passou a reunir cerca de 980 figurinhas, quase 300 a mais do que na edição de 2022. Cada equipe ganhou duas páginas exclusivas, com jogadores, escudo, uniforme e fotografia oficial, o que aumentou o tamanho da coleção e também o número de envelopes necessários para preenchê-la. 

No Brasil, o álbum começou a ser vendido em 1º de maio. A versão de capa simples custa R$ 24,90, enquanto a capa dura é comercializada por R$ 74,90. Os pacotes passaram a trazer sete figurinhas e são vendidos por R$ 7 cada. Apenas para adquirir as 980 figurinhas, sem nenhuma repetição, seriam necessários 140 pacotes, totalizando R$ 980. Somando o valor do álbum simples, o gasto mínimo chegaria a R$ 1.004,90. No entanto, essa possibilidade é considerada praticamente impossível, já que a repetição de cromos faz parte da dinâmica da coleção.

Segundo a pesquisa da BBC News, sem realizar trocas, completar o álbum pode custar até R$ 7.362,90 no Brasil. Outras estimativas, que consideram apenas a compra de pacotes até conseguir todas as figurinhas, apontam gastos entre R$ 4.300 e R$ 14 mil. O valor varia conforme a quantidade de repetidas, a sorte do colecionador e a participação em eventos de troca. Diferentemente de algumas edições anteriores, nesta coleção não há venda de figurinhas avulsas no início da campanha, o que aumenta a dependência dos envelopes fechados. 

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Apesar do custo elevado, a tradição permanece forte entre famílias que transformam a busca pelas figurinhas em um momento de convivência. 

A pedagoga Aline Magalhães, de 41 anos, acompanha a coleção ao lado do filho João Lázaro, de 8 anos. Segundo ela, o álbum vai além do futebol e se tornou uma atividade compartilhada dentro de casa. "Cada pacote que compramos é um momento de expectativa. João abre as figurinhas com muita animação e comemora quando encontra um jogador que estava procurando. A coleção desperta o interesse pelos países, pelas bandeiras e pela Copa do Mundo, e isso acaba reunindo toda a família", afirma. 

Aline conta que exige organização financeira. "A gente acaba gastando bastante comprando pacotinhos porque sempre faltam algumas figurinhas e aparecem muitas repetidas. Mesmo sabendo que é um gasto alto, vamos comprando aos poucos porque entendemos que estamos construindo lembranças com nosso filho. As memórias que ficam acabam sendo mais importantes do que o dinheiro investido", diz.

 Além da diversão, o álbum também contribui para o aprendizado das crianças. Durante as trocas, elas desenvolvem habilidades de negociação, aprendem a lidar com frustrações, fortalecem a convivência social e ampliam os conhecimentos sobre geografia, culturas e futebol.

 O contato com as seleções participantes desperta curiosidade sobre diferentes países e incentiva a pesquisa sobre costumes, idiomas e localização das nações representadas na competição.

O aumento dos custos não ocorreu apenas no Brasil. No Reino Unido, o álbum custa 4 libras, cerca de R$ 29, enquanto cada pacote com sete figurinhas é vendido por 1,25 libra, aproximadamente R$ 9. As estimativas indicam que completar a coleção pode ultrapassar 2 mil libras, valor equivalente a cerca de R$ 13 mil. 

Em Portugal, o álbum custa 2,50 euros, aproximadamente R$ 16, e os envelopes são vendidos por 1,70 euro, cerca de R$ 11. Sem realizar trocas, a coleção pode ultrapassar 2.300 euros, o equivalente a aproximadamente R$ 15 mil. Já no México, o álbum custa 99 pesos mexicanos, cerca de R$ 29, enquanto cada pacote é vendido por 25 pesos, aproximadamente R$ 7. As projeções apontam gastos entre 3.599 e 6 mil pesos mexicanos, valores que variam entre cerca de R$ 1.050 e R$ 1.750. 

Para muitos colecionadores, a experiência vai além do preenchimento das páginas. A troca de figurinhas, os encontros entre amigos, a convivência em família e a expectativa de encontrar o cromo que falta mantêm viva uma das práticas mais marcantes de cada Copa do Mundo, ainda que, desta vez, ela pese mais no orçamento dos brasileiros.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

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