quartas de final

La cuarta estrela embala Argentina hoje já em busca da semifinal

Argentinos mudam padrão de "hinos" das arquibancadas e deixam de lado provocações ao Brasil. Hit responsável por embalar a busca ao tetra foge das menções ao rival

Argentinos invadiram as arquibancadas dos estádios norte-americanos ao longo da Copa do Mundo e embalam campanha com muita festa e música -  (crédito: Odd Andersen/AFP)
Argentinos invadiram as arquibancadas dos estádios norte-americanos ao longo da Copa do Mundo e embalam campanha com muita festa e música - (crédito: Odd Andersen/AFP)

Kansas City — Em 2014, uma canção foi cantada à exaustão no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Brasília. De tão repetida, até os brasileiros decoraram a letra — muitos, aliás, a adaptaram para os seus clubes. "Brasil, decíme qué se siente" se tornou quase um hino para os argentinos naquela Copa do Mundo e, para além das provocações naturais, era um sintoma de uma rivalidade desbalanceada. Mas as coisas mudaram, e as músicas da torcida da Argentina parecem refletir isso: desde então, é a primeira vez que o hit dos hermanos não cita o Brasil. Embalados por La cuarta estrella, os argentinos tentam a semifinal contra a Suíça. A bola rola hoje, às 22h, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, nos Estados Unidos.

Em 2014, o Brasil chegava para a competição em casa após um ciclo atribulado, mas com mais confiança. A verdade é que, apesar de não ter conquistado o Mundial em 2006 e 2010, a Seleção Brasileira ainda desfrutava de um domínio continental, com duas taças da Copa América e duas da Copa das Confederações. Enquanto isso, a Argentina amargava mais de duas décadas sem levantar um troféu — o último havia sido a Copa América de 1993.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Restava, então, a provocação com menções históricas — "está chorando desde a Itália até hoje", em referência ao triunfo argentino no clássico da Copa de 1990 — ou subjetivas — "Maradona é maior do que Pelé". Toda a letra da canção se direcionava ao país-sede do Mundial de 2014.

Na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, duas músicas animaram a torcida argentina. Uma delas, intitulada "Vinimos todos juntos a Rusia a alentar a Argentina", faz menção ao Brasil. "Todos os 'brazucas' vão chorar, porque este ano o papai vai levar a Copa", dizem as últimas linhas da canção.

Depois de quase três décadas de seca, a Argentina finalmente voltou a ser campeã — foi na Copa América de 2021, contra o Brasil, em pleno Maracanã, no Rio de Janeiro. O triunfo, claro, gerou novas provocações e chegou à Copa do Mundo seguinte, em 2022, no Catar.

"Muchachos" embalou a campanha rumo ao tricampeonato e, mais uma vez, continha referência ao arquirrival. "As finais que perdemos, quantos anos eu chorei; Mas isso acabou, porque no Maracanã, a final com os 'brazucas' o papai voltou a ganhar", cantavam, a plenos pulmões.

Nova 'Era'?

Desde a final de 2021, a Argentina empilhou títulos com a "Scaloneta", apelido dado ao time comandado pelo técnico Lionel Scaloni. Com o brilho de Lionel Messi, ganharam a Finalíssima contra a Itália (2022), Copa do Mundo diante da França (2022) e novamente a Copa América, contra a Colômbia (2024). Em meio à "Era" vitoriosa e à derrocada do rival, uma nova música embala a campanha no Mundial em 2026.

"La cuarta estrella" é o hit argentino nos Estados Unidos — foi cantado até mesmo pelos jogadores no vestiário, após a virada épica por 3 x 2 sobre o Egito, nas oitavas de final, em Atlanta, e deve voltar a ecoar no Arrowhead Stadium, em Kansas City. A música entoada nos estádios é uma adaptação de "No me arrepiento de este amor", da cantora Gilda. A releitura foi feita por Pablo Quintana, o "Palmito", que decidiu não fazer nenhuma menção ao Brasil.

Não que as provocações ao grande rival tenham cessado. Jogo após jogo, os argentinos mandam recados à Seleção Brasileira por meio de brincadeiras e de canções criadas em outras épocas. A diferença é que, no novo hit, olha-se apenas para si mesmo e não para o adversário.

"Gosto de colocar significado na letra. Por um lado, há aquela energia de estádio — aquele espírito de 'Vamos, Seleção'. Por outro, há a história e os nomes dos nossos símbolos nacionais; quero que a música sirva como um veículo cultural para transmitir isso às futuras gerações", declarou, em entrevista ao Olé.

A versão segue o tradicional ritmo das músicas de estádio na Argentina e faz referências históricas a uma série de episódios, não apenas no futebol, algo que já se notava em canções anteriores. Há menções, por exemplo, ao tri conquistado no Catar, à derrocada em 1994 com o doping de Diego Maradona, à Guerra das Malvinas e à despedida de Messi.

"O futebol tem tudo a ver com as crianças: se apenas uma delas começar a fazer perguntas sobre as Malvinas, já é uma vitória. Vai levar uns seis meses para a ficha realmente cair; neste momento, estou nos Estados pela primeira vez, criando conteúdo e fazendo música — foi a música que me trouxe aqui. É o sonho de uma vida, e acho que vai levar um tempo para eu assimilar tudo isso completamente", completou.

  • Google Discover Icon
JV
postado em 11/07/2026 06:03
x