
Quando o árbitro apitou o final dos 90 minutos do tempo regulamentar, o Bezerrão tornou-se um mar de joelhos ao chão e oração. Todos em prol do objetivo de clamar pela classificação do Gama às oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Na tarde do último domingo (12/7), quando tudo parecia impossível para o alviverde, dois mundos distintos se cruzaram: o futebol e a fé. Embalados pela vitória contra o Porto Velho nos pênaltis, neste domingo (19/7), o time de Luís Carlos Carioca entra em campo para enfrentar o América-RN, às 19h, na Arena das Dunas, em Natal, para mais um capítulo da busca pelo acesso à terceira divisão nacional.
Enquanto Marcelo de Lima Henrique e a equipe de arbitragem se organizavam com os capitães antes das cobranças dos pênaltis, a devoção coletiva no qual o sagrado, o místico e o popular se conectaram tomou de conta da casa do Periquito. Dos dois lados, jogadores e comissões técnicas reuniram-se para pedir em uma só voz para que seja feita a vontade do divino. Nas arquibancadas, o coro dizia: "O Senhor, ele é gamense; e gamense eu também sou”.
Terços, mãos em direção ao céu e joelhos ao chão antecipavam o momento de tensão. Naquele instante foi mostrado que quem pede com fé nunca ora em vão. Isso não quer dizer que os adversários pediram ou queriam menos, mas havia um propósito maior quando o canhoto Gabriel Lima converteu a última bola do jogo.
“Tinha muito tempo que eu não rezava tanto”, exclamou Mateus Dutra, fotógrafo do Gama. Apesar do jogo duro, o alviverde foi superior no tempo regulamentar, mas a defesa do Porto Velho estava bem postada para afastar todo o perigo. Um herói improvável, Henrique Almeida saiu do banco para abrir o placar. Nos acréscimos, o artilheiro Felipe Clemente apareceu para dar uma segunda chance ao Gama. Neste domingo (19/7), o primeiro passo fora de casa é contra um adversário tão cascudo quanto o clube do DF. O embate coloca frente a frente as duas melhores campanhas da Série D.
No banco, Gabriel Galhardo acompanhou o jogo com uma regata por baixo do uniforme. A peça carregava os dizeres “a glória é de Deus”. Para o volante, foi apenas uma forma de simbolizar a fé no momento de celebração. “Essa mensagem me faz lembrar de Deus, principalmente nos momentos mais felizes, nos momentos de comemorações. Eu lembro mais de Deus nos momentos de alegria, porque é quando eu lembro de tudo que Ele fez na minha vida quando estava difícil", destacou.
"Eu já passei por muitos momentos difíceis, e as coisas sempre melhoraram, e sempre foi Deus que fez isso por mim. Então nada mais justo do que eu lembrar dEle nos melhores momentos, já que nos mais difíceis foi Ele quem me sustentou. Levo isso pra minha vida profissional e pra minha vida pessoal também. Quando as coisas estão boas, Deus é Deus. Quando elas estão difíceis, Ele continua sendo Deus”, contou Galhardo.
Com abertura em Natal, as oitavas de final são o penúltimo passo em direção ao acesso. Nas quartas, o classificado de Gama e América-RN terá duas tacas para concretizar a vaga na terceira divisão. Quem chegar às semifinais estará automaticamente classificado, enquanto os perdedores dos duelos da próxima fase terão um playoff para definirem os donos de mais duas vagas. A volta está marcada para o domingo seguinte, 26 de julho, às 16h, no Estádio Bezerrão, mesmo local no qual a fé guiou classificações anteriores do alviverde.
*Estagiária sob a supervisão da redação

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