
Uma das inovações tecnológicas mais impactantes do futebol mundial, enfim, desembarca na Série A do Campeonato Brasileiro. Após oito meses de estudo, planejamento e muita expectativa, o impedimento semiautomático estreia, neste sábado (25/7), no Brasil com a missão de repetir o sucesso internacional. A tecnologia tem como objetivo principal ajudar os árbitros em lances ajustados, entregando maior clareza e rapidez. Os jogos entre Athletico-PR x Internacional, na Arena da Baixada, às 18h30; Santos x Chapecoense, na Vila Belmiro, às 18h30; e Vasco x Mirassol, em São Januário, às 20h30, será os primeiros como o recurso em ação.
Desenvolvida pela GeniusIQ, plataforma de inteligência artificial e dados da Genius Sports, a tecnologia fornecerá aos árbitros decisões de impedimento rápidas, precisas e eficientes. O Brasil espera surfar no sucesso do recurso em outras ligas. Inaugurado na Copa do Mundo de 2022, o sistema está presente na Premier League (inspiração utilizada na Série A do Brasileirão), na Champions League, na La Liga e na Bundesliga, por exemplo. Inicialmente, o impedimento semiautomático foi implementado nos 19 estádios da Série A e na Arena Barueri. Casa corriqueira de jogos nacionais, o Mané Garrincha, em Brasília, ainda não conta com o aparato.
Após confirmar a aquisição em janeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tinha expectativa de implementar o impedimento semiautomático no início da temporada de 2026. O prazo de instalação, a realização de testes e o treinamento dos árbitros, porém, atrasaram a estreia para o segundo semestre. Em novembro de 2025, o presidente da entidade, Samir Xaud, ressaltou a importância da modernização do futebol brasileiro, durante a reunião inaugural do Grupo de Trabalho de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol. Nas última semana, o sistema foi testado com sucesso no jogo entre Athletico x Fortaleza, no Brasileirão Sub-17.
"Quando assumimos o compromisso de implantar o impedimento semiautomático (SAOT), deixamos claro que a modernização da arbitragem seria uma prioridade da nossa gestão. Hoje, entregamos essa tecnologia ao futebol brasileiro após um processo criterioso de planejamento, testes e capacitação. É um investimento que aproxima o Campeonato Brasileiro dos mais altos padrões internacionais e reforça nosso compromisso com a transparência, a justiça esportiva e a credibilidade das competições promovidas pela CBF", afirmou Xaud.
Na Copa do Mundo de 2026, a tecnologia do impedimento semiautomático foi usada com uma versão aprimorada por um chip na bola oficial. No Brasileirão, o sistema terá entre 28 e 32 câmeras de celulares modernos, com suporte de cinco servidores locais, e sensores para rastrear a posição dos jogadores e da bola em tempo real no gramado. A partir disso, um software processa os dados e calcula as linhas para identificar, com margem de erro de um centímetro, se um atleta estava em condição de jogo no momento exato do passe. As imagens capturadas serão transmitidas em tempo real para a Central de Operações do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), da CBF, no Rio de Janeiro.
"A implementação do impedimento semiautomático representa um grande passo à frente para o futebol brasileiro. Esta iniciativa incorpora soluções tecnológicas projetadas para auxiliar os árbitros no processo de tomada de decisão. O principal objetivo é proporcionar maior precisão, transparência e rapidez na análise das situações de impedimento, especialmente as mais complexas, contribuindo para decisões cada vez mais consistentes e fortalecendo a confiança de todos os envolvidos no jogo", afirmou Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.
Em mais de quatro anos, o veredito digital do impedimento semiautomático trouxe mais assertividade e celeridade ao jogo. Agora, o Brasil adota o sistema como aliado para chutar para escanteio as polêmicas de arbitragem, ainda desde a implementação do árbitro de vídeo, em 2019. A partir de hoje, cada passe em profundidade, cada arrancada no limite e cada gol potencialmente decisivo passará ainda mais pelo olhar da tecnologia. No futebol brasileiro, a discussão continua nas arquibancadas, pois a promessa é encerrar, de vez, a discussão e os tira-teimas.
*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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