Grupo C
Vini Jr. mira feito de Jairzinho, Romário, Rivaldo e Ronaldo contra a Escócia
Em ritmo de poesia e números de protagonista, Vinicius Junior igualará feitos de Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo se fizer gol na Escócia, hoje, em Miami
Grupo C
Em ritmo de poesia e números de protagonista, Vinicius Junior igualará feitos de Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo se fizer gol na Escócia, hoje, em Miami

Miami — O protagonismo de Vinicius José Paixão de Oliveira Junior na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 lembra uma obra-prima assinada pelo xará dele: Vinicius de Moraes. O poeta encerra o Soneto de Fidelidade assim: "Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure". A Flórida está pronta para vê-lo on fire!
Nascido e criado no Porto do Rosa e descoberto na escolinha do Flamengo no bairro vizinho, Mutuá, ambos em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o camisa 7 cresceu ouvindo críticas sobre a dificuldade em um fundamento: a finalização. O desempenho nos Estados Unidos contraria os críticos. Se balançar a rede contra a Escócia, hoje, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela última rodada do Grupo C, Vinicius Junior acessará um seletíssimo grupo no almanaque da Seleção.
Em 22 participações do Brasil na Copa, apenas três jogadores fizeram gol nos três jogos da fase de grupos: Jairzinho, o Furacão do tricampeonato (1970); Romário, o cara do tetra (1994); e a dupla Rivaldo e Ronaldo (2002), na campanha do penta. Autor de um gol no empate com Marrocos e de outro nos 3 x 0 contra o Haiti, Vini tem essa chance. Está em chamas!
Quando se apresentou na Granja Comary, o atacante do Real Madrid teria confidenciado a Luiz Felipe Scolari a meta de marcar seis gols na Copa. Ele entregou um terço e resgata a magia da camisa 7 de Mané Garrincha no bi, de Jairzinho no tri e de Bebeto no tetra.
"Estou vibrando com os gols do Vini, as assistências, está fazendo uma grande Copa do Mundo. Tem feito a diferença. É muito bom jogador", exaltou Bebeto ao Correio nos corredores do Philadelphia Stadium após a vitória contra o Haiti.
Vinicius Junior é o jogador mais decisivo do Brasil nas últimas duas Copas. Dos 12 gols marcados pelo Brasil nas campanhas no Catar e na América do Norte, ele esteve diretamente envolvido ou na origem das jogadas de 11, com exceção daquele de Neymar contra a Croácia nas quartas de final de 2022. Tite o havia substituído. Todos os demais tiveram influência do subestimado atacante apelidado um dia de "Neguebinha" por parte da torcida do Flamengo — uma referência a Negueba, outra promessa da base.
O jogador eleito Fifa The Best em 2024 respondeu em campo ao se tornar o primeiro brasileiro eleito melhor do mundo desde Kaká em 2007 e com o desempenho nesta Copa. "É um momento muito importante não só para mim, mas para todos. Poder marcar e dar assistência me faz chegar no nível que quero na Seleção", celebra o craque.
O desempenho da estrela tem vários alicerces. O principal deles é o técnico Carlo Ancelotti, elo fortalecido pela relação criada no Real Madrid. Dos cinco títulos do italiano na Liga dos Campeões, dois têm a assinatura direta do brasileiro. Vini fez o gol do título na final de 2022 contra o Liverpool e desequilibrou novamente no duelo com o Borussia Dortmund, em 2024, marcando o segundo na decisão contra o time alemão.
Amigos fazem a diferença. Lucas Paquetá é um deles desde a formação. Foi do meia a assistência para o gol do ponta contra o Haiti. "A gente tem uma amizade muito bonita, de muito tempo. Vi o Vini ainda muito novinho, criamos esse laço desde a época do Flamengo. A gente fica muito feliz de estar junto, independentemente de estar na Seleção ou torcendo de longe. É um cara que admiro muito, tenho respeito enorme por ele. Sem dúvida que estar com ele aqui e vivendo mais uma Copa é especial demais para nós", afirmou Paquetá na entrevista coletiva de domingo, na concentração da Seleção.
Perfeccionista, Vini não se conforma com os dois gols. "Claro que quero evoluir, mas esses dois jogos nos dão tranquilidade para seguir na competição. Quero fazer muito mais pela Seleção, não só em gols, mas sim pelo trabalho que faço aqui. Sei da minha importância. Se eu estiver bem, sei o quanto posso contribuir", avisa o artilheiro do Brasil na Copa ao lado do camisa 9 Matheus Cunha. Cada um deles tem dois.
Outro ponto de equilíbrio na segunda Copa de Vini é a presença do camisa 10. "Poder ter o Neymar de volta, perto, é muito especial. Todos os movimentos que aprendi foram o vendo. Tudo o que fiz dentro de campo foi tentando fazer igual a ele", afirmou na véspera da estreia. A 10 era de Vini. Nesta semana, ambos estiveram cada vez mais próximos nos treinos e podem até formar dupla de ataque a partir da fase de 16 avos.
A saúde física e mental do galático é fundamental para o sucesso do Brasil. Dos 26 convocados, Vini é quem mais entrou em campo na temporada de 2025/2026. O atacante jogou 63 vezes: 53 pelo Real Madrid e 10 com a camisa da Seleção. A exaustão preocupa.
Carlo Ancelotti perdeu Estêvão, Rodrygo e Raphinha por causa de lesões. Neymar deve ganhar os primeiros minutos pelo Brasil depois de 980 dias longe da Amarelinha. "Que Vini seja infinito enquanto dure a campanha do Brasil".