Por João Victor Marques - Enviado especial
Kansas City – As tensões entre Estados Unidos e Irã podem se encontrar em campo na Copa do Mundo. Se ambos avançarem ao mata-mata em segundo lugar dos respectivos grupos, enfrentam-se na primeira fase eliminatória do Mundial. E com um detalhe sórdido: o duelo seria na véspera do 4 de julho, Dia da Independência estadunidense.
Nessa quarta-feira (17/6), os países assinaram um memorando com 14 pontos para cessar a guerra. Enquanto isso, a delegação iraniana tem enfrentado uma situação sem precedentes na história das Copas do Mundo.
A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI) teve de transferir a base da seleção para Tijuana, no México. Inicialmente, seria em Tucson, no Arizona.
Os jogos, porém, seguem nos Estados Unidos. A seleção tem tido que viajar no dia anterior e voltar ao México logo após os jogos.
“Não sabemos por que eles estão nos mandando de volta (para o México), e acho tudo isso muito estranho. Parece que outras pessoas estão fazendo o planejamento por nós, que as decisões sobre a nossa equipe estão sendo tomadas em outro lugar”, reclamou o técnico Amir Ghalenoei.
“Nós deveríamos ter vindo para Los Angeles duas noites antes do jogo, mas não nos permitiram. Também deveríamos passar a noite aqui para nos recuperarmos e retornar (na terça-feira) na hora do almoço, mas, mais uma vez, não nos permitiram. Sinceramente, não faço ideia do motivo. Ninguém nos explicou.
Acredito que talvez a nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo”, completou o comandante, após a estreia iraniana no torneio – o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, na última segunda-feira (15/6), em Los Angeles.
E não para por aí. Há relatos de que o governo do presidente Donald Trump negou vistos a dirigentes e torcedores iranianos. Em geral, quem acompanhou o primeiro jogo no estádio foram os imigrantes, em grande número na Califórnia.
No país, os avanços sobre o Irã repercutiram mais negativamente que positivamente. Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada em maio, antes do acordo, só 27% dos entrevistados apoiavam a guerra, enquanto 43% desaprovavam e 29% não souberam responder.
“Acho uma idiotice”, disse um estadunidense que não quis ser identificado, em Kansas City, na divisa entre o Kansas e o Missouri. “Espero que te tratem bem aqui”, disse o motorista Lenny Smith, em Houston, no Texas. A referência não foi específica aos iranianos, mas aos imigrantes de forma geral nos Estados Unidos.
Jogo perto de data simbólica
O Lumen Field, em Seattle, vai receber a partida entre os segundos colocados dos grupos D e G da Copa do Mundo na fase de 16 avos de final. A partida está prevista para o dia 3 de julho, véspera do principal feriado estadunidense.
Ao fim da primeira rodada, os Estados Unidos lideram o Grupo D, com três pontos. Na estreia, bateram Paraguai por 4 a 1.
Já o Irã aparece em segundo lugar do Grupo G nos critérios de desempate, após a igualdade com os neozelandeses.
Próximos jogos de Estados Unidos e Irã
- Estados Unidos x Austrália – 19/6, às 16h (de Brasília), em Seattle
- Bélgica x Irã – 21/6, às 16h (de Brasília), em Los Angeles
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João Vítor Marques - Enviado aos EUA
