A imagem da Seleção Brasileira levantando a faixa com a frase “Senna, aceleramos juntos, o tetra é nosso” após a conquista da Copa do Mundo de 1994 se tornou um dos momentos mais marcantes da história do mundial para o Brasil. O gesto simbolizou a ligação criada entre o piloto e o grupo que encerrou um “jejum” de 24 anos sem títulos mundiais.
A relação começou antes da tragédia que abalou o país. Em 20 de abril de 1994, Ayrton Senna esteve no Parque dos Príncipes, em Paris, para acompanhar um amistoso preparatório da Seleção Brasileira. Convidado a participar da cerimônia, ele deu o pontapé inicial da partida e teve contato com os jogadores e a comissão técnica.
- Leia também: Relutância de Ancelotti em escalar Endrick é 'sensação viral' da Copa na internet, diz New York Times
Na época, Senna também buscava seu quarto título na Fórmula 1. Segundo relatos de jogadores e integrantes da delegação, o encontro foi de conversas sobre a temporada e a expectativa de que tanto o piloto quanto a Seleção pudessem alcançar o tetracampeonato naquele ano.
Pouco mais de uma semana depois, em 1º de maio, o país recebeu a notícia da morte de Senna durante o Grande Prêmio de San Marino, na Itália. O choque do país foi imediato. Considerado um dos maiores ídolos da história brasileira, ele representava uma figura capaz de unir diferentes gerações diante da televisão aos domingos.
Quando a Copa do Mundo começou nos Estados Unidos, a lembrança do piloto continuava presente. Jogadores da campanha do tetra já contaram em entrevistas que a determinação, a disciplina e a busca pela excelência do piloto serviram de inspiração durante a competição.
Em 17 de julho de 1994, após a vitória sobre a Itália nos pênaltis, o Brasil voltou ao topo do futebol mundial. Ainda no gramado do Rose Bowl, na Califórnia, os atletas exibiram a faixa que entraria para a história. A mensagem carregava um significado para um país que ainda vivia o luto pela perda do tricampeão mundial de Fórmula 1.
Durante três décadas, a faixa utilizada na comemoração permaneceu guardada por integrantes da estrutura da Seleção de 1994. Em 2024, campeões do tetra se reuniram para entregá-la oficialmente à família Senna. Agora o objeto faz parte do acervo ligado ao piloto.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares
