Após vencer a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo 2026, fechando o confronto com um placar de 2x1, jogadores argentinos levantaram uma faixa reacendendo uma disputa política e histórica entre as duas nações. Durante a comemoração da seleção argentina, a faixa levantada dizia: “As Malvinas são argentinas”, território disputado pelos países que se enfrentaram em campo nesta quarta-feira (15/7).
Chamadas de “Ilhas Malvinas” pelos argentinos e de “Falkland” pelos ingleses, o arquipélago tem 11.718 km² de superfície e fica localizado no sul do Oceano Atlântico, a cerca de 500 quilômetros da Argentina. O território tem sido administrado pelo Reino Unido desde 1933, mas o governo argentino até hoje não reconhece o domínio britânico e reivindica as ilhas.
Alejandra Monteoliva, ministra da Segurança da Argentina, chegou a afirmar nesta terça-feira (14) que a torcida argentina estava proibida de entrar no estádio com bandeiras ou faixas que citassem a disputa territorial. “É proibida a entrada de itens que contenham qualquer tipo de mensagem provocativa, seja de conteúdo político ou racial. Não será permitido levar bandeiras ou cartazes com esse tipo de conteúdo”, destacou.
O início da disputa
As contradições a respeito das ilhas surgem logo nas histórias sobre a descoberta do território. De acordo com a Argentina, as ilhas foram descobertas durante a expedição do navegador portugês Fernando de Magalhães, quando estava à serviço da Espanha em 1520. Já na versão inglesa, o responsável por esse feito seria, na verdade, o navegador inglês John Davies, em 1592.
John Strong nomeou a região de “Falkland Sound”, em 1692. Logo depois, a Espanha reivindicou seu direito às ilhas. Outro país entra na história em 1764, quando a França colonizou o território e estabeleceu o primeiro povoado da região, que hoje conta com aproximadamente 3.600 habitantes. No entanto, a Espanha negociou o tranferência de poder das ilhas e assumiu o controle em 1811.
Anos de disputa territorial se seguiram e a justificativa argentina é de que o local foi herança da coroa espanhola, mas o ápice do confronto se deu em abril de 1982, quando a Argentina, que na época vivia sob regime militar, invadiu as ilhas. O objetivo era reavivar o patriotismo argentino para combater os conflitos internos do país. Margareth Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido na época, enviou tropas ao local e iniciou uma guerra que durou 74 dias e deixou 907 mortos.