Eu, Estudante

RISCO IMINENTE

Oficial do Itamaraty corre risco de exoneração por autodeclaração racial

Empossada em abril de 2026, a servidora aguarda decisão de recurso que pode reverter a suspensão de sua posse, enquanto a União recorre no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)

Flávia Medeiros, oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, enfrenta risco iminente de exoneração após questionamentos sobre sua autodeclaração racial no concurso de 2023. Empossada em abril de 2026, a servidora aguarda decisão de recurso que pode reverter a suspensão de sua posse, enquanto a União recorre no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

O impasse começou em 2024, quando a banca de heteroidentificação do Cebraspe, banca organizadora do certame, rejeitou sua autodeclaração como parda. A banca alegou que Flávia tem “pele clara, traços finos e cabelos lisos”, considerados incompatíveis com vagas reservadas.

“Meu cabelo é cacheado, minha pele não é clara... Eu tenho as características típicas de uma pessoa parda. A vida inteira me entendi como uma pessoa parda”, afirma a servidora ao Correio. Ela ainda ressalta que já havia sido aprovada em outras bancas e universidades federais.

Após recursos administrativos negados, Flávia recorreu à Justiça Federal e conseguiu autorização para participar do curso de formação em 2025. Em 2026, uma nova decisão judicial garantiu sua posse, mas o TRF1 suspendeu seus efeitos, alegando que não há “posse precária” antes do trânsito em julgado.

O impacto pessoal tem sido grande: Flávia se mudou de Vitória (ES) para Brasília, deixou o emprego anterior e assumiu contratos de longo prazo na capital. Recentemente, ela foi eleita secretária executiva adjunta do comitê étnico-racial do Itamaraty. “Estou completamente desesperada... É uma sensação de injustiça, sabe? De imaginar que por causa de uma falha num processo... a ordem das coisas parece muito errada”, diz Flávia.

Flávia criticou a subjetividade das bancas: “Eles estão criando um caráter subjetivo e não necessariamente baseado no que a política pública fala... Eu acredito que eles extrapolam muito esses critérios”. 

Ao Correio, o Cebraspe informou que as questões relacionadas à servidora são tratadas exclusivamente nos autos do processo judicial. O Itamaraty também foi questionado pela reportagem, todavia, até o fechamento da matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto e em caso de resposta a matéria será autorizada.