O Ministério da Educação divulgou, nesta sexta-feira (26), a segunda etapa do Censo Escolar 2025. Considerado o principal levantamento estatístico da educação básica no Brasil, o Censo aponta melhoria no ensino médio público, aumento do índice de alfabetização das crianças, expansão da educação em tempo integral e menos estudantes reprovados, fora da escola ou com atraso escolar.
O levantamento abrange as diferentes etapas da educação básica: educação infantil, ensino fundamental e médio, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional e tecnológica. Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, os dados traduzem o desenvolvimento do país. “Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica”, afirma.
Ensino médio
Os dados divulgados apontam no ensino médio, entre 2022 e 2025, a reprovação caiu 62%. Na taxa de abandono escolar houve redução de 61%. No indicador que mede o atraso escolar, chamado de distorção idade-série, a redução foi de 28%. A aprovação dos estudantes teve aumento de 11% nos últimos anos.
Sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre os anos de 2022 e 2025, a rede pública teve progresso e registrou aumento de 46% nas inscrições de jovens concluintes de escola pública. Em nota do Ministério da Educação, o presidente Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou que mais estudantes têm conseguido permanecer no ensino médio. “Um resultado novo, produzido pelo Inep, observa o que aconteceu com os estudantes que deveriam voltar à escola no ano seguinte e indica que a taxa de não-retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025, o que significa que mais jovens permaneceram estudando. Esse avanço faz bastante diferença: se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio – ou seja, um número muito grande de jovens, que poderia estar fora da escola, seguiu estudando”, explica.
Alfabetização
Entre as conclusões apontadas pelo documento, outras etapas da educação básica também registraram avanços nos últimos anos. O índice de crianças alfabetizadas no país saltou de 36% em 2021 para 66% em 2025. Considerada uma etapa fundamental na aprendizagem infantil, a alfabetização auxilia na autonomia, na capacidade de interpretar e da comunicação, que geram impactos positivos ao longo de toda a trajetória escolar.
O reflexo do salto na alfabetização veio também na expansão da educação em tempo integral. Segundo o relatório, o percentual de matrículas na modalidade passou de 15,1% em 2021, para 25,8% em 2025. No mesmo período, o número de estudantes matriculados chegou a um total de
8,8 milhões. O balanço consolida uma trajetória de recuperação e cumprimento de metas nacionais importantes para o setor educacional. De acordo com ao Ministério, pela primeira vez a educação em tempo integral alcançou a menta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa um em cada quatro estudantes na modalidade.
Outro destaque nos dados divulgados é o desenvolvimento tecnológico das redes de ensino. Somente neste ano, mais de 100 mil escolas apresentam conexão voltada para fins pedagógicos. O número contrasta com os dados de 2023, com conexão em 66,8 mil. Neste período, teve um acréscimo de 43,7%.
Considerado a principal pesquisa estatística da educação básica, o Censo Escolar é coordenado pelo Inep e realizado em regime de colaboração entre as secretarias estaduais e municipais de Educação, com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país.