João Pedro de Lara Resende
postado em 31/08/2026 17:45
O objetivo é verificar se a ferramenta consegue desenvolver as competências analíticas do gestor — a capacidade de ler dados, identificar problemas e tomar decisões fundamentadas - (crédito: Paulo Guereta)
O Instituto Unibanco está desenvolvendo uma ferramenta de inteligência artificial voltada à formação de diretores de escolas públicas. A iniciativa foi revelada pelo gerente de desenvolvimento da gestão em educação do instituto e professor da FEA-USP, Ricardo Madeira, durante o 6º Seminário Internacional de Gestão Educacional, em São Paulo.
A ferramenta funciona no programa Jovem de Futuro, que atende seis estados: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul. Nele, cada escola elabora um diagnóstico da sua realidade e um plano de ação para melhorar os resultados de aprendizagem. Até agora, a avaliação desses planos era feita por pessoas. A ia entra como instrumento formativo — e com uma função específica.
"A gente poderia, em tese, com a tecnologia disponível, desenvolver uma IA que processa as informações e automatiza a elaboração do plano de ação. No entanto, a nossa hipótese é que o processo de elaboração do plano que torna o diretor em um profissional melhor. Portanto, não faria sentindo entregar um plano de ação pronto para o diretor.” explicou Madeira ao Correio.
A lógica é inversa à do uso mais comum da IA generativa: em vez de entregar respostas, a ferramenta faz perguntas. "Ela vai ajudando o diretor a refletir sobre se o plano de ação é bom ou não. 'Você olhou essa informação? Levou isso em consideração?'", descreveu.
Como funciona
O sistema utiliza um modelo de linguagem (LLM) consolidado no mercado — o Instituto Unibanco não desenvolveu um modelo próprio. O que a equipe construiu foi um contexto especializado que permite ao modelo conversar com o diretor sobre a realidade daquela escola. "A gente só está calibrando um LLM que existe para conseguir conversar sobre aquele contexto específico com o diretor", disse Madeira. Na prática, é um agente especializado em IA que opera dentro de uma plataforma genérica.
O projeto está em fase de teste. O objetivo é verificar se a ferramenta consegue desenvolver as competências analíticas do gestor — a capacidade de ler dados, identificar problemas e tomar decisões fundamentadas.
Madeira afirmou que a IA também pode transformar os sistemas de avaliação escolar. "Com a computação em nuvem somada à inteligência artificial, a gente pode fazer sistemas de avaliação muito mais sofisticados do que os que faz hoje", disse. Entre as possibilidades citadas estão a leitura automatizada de questões abertas e a simulação de situações-problema — formatos que permitem medir competências impossíveis de testar em escala por meio de provas de múltipla escolha.
O Correio acompanhou o evento a convite do Instituto Unibanco.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá