RANKING DE UNIVERSIDADES

UnB sobe entre as universidades brasileiras em ranking global

Lista inclui as 1 mil melhores instituições de ensino superior do mundo e é feita por consultoria de Xangai. A USP foi a brasileira com melhor desempenho

Ana Paula Lisboa
postado em 17/08/2020 20:43 / atualizado em 17/08/2020 22:03
Confira as colocações nacionais das universidades brasileiras que aparecem no ranking -  (foto: Ana Paula Lisboa/CB)
Confira as colocações nacionais das universidades brasileiras que aparecem no ranking - (foto: Ana Paula Lisboa/CB)

Na comparação com instituições de ensino brasileiras, a Universidade de Brasília (UnB) subiu algumas posições na edição de 2020 no ranking mundial de universidades ShanghaiRanking, que inclui as 1.000 melhores instituições de ensino do globo. Em 2020, a UnB ficou na faixa entre a 9ª a 12ª classificações, sendo que, em 2019, encontrava-se no intervalo entre a 12ª e a 14ª posições. Internacionalmente, a universidade permanece na mesma faixa: entre as 701 e as 800 melhores do mundo. O melhor desempenho da UnB na lista globalmente foi em 2018, quando ficou entre as 601 e as 700 melhores. Em 2017, ela estava no intervalo 701-800. 

Em junho, em outro ranking da mesma consultoria de Shanghai, que avalia instituições de acordo com áreas acadêmicas, a UnB se destacou entre as melhores do mundo em sete disciplinas.

Desde 2003, o Academic Ranking of World Universities (ARWU) classifica as melhores instituições de ensino superior do mundo até a 1.000ª posição. Nenhuma universidade da América Latina aparece entre as 50 ou as 100 melhores em 2020. A Universidade de São Paulo (USP), na faixa entre a 101ª e a 150ª posições, foi a brasileira com melhor desempenho no ranking, além de ser a primeira representante latino-americana a figurar na lista. No total, 22 instituições do Brasil aparecem no ranking.

Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB, observa que os indicadores do ranking são retirados de bases de dados. “A gente não informa nenhum dado para esse ranking. O resultado mostra a solidez da UnB e o quanto a UnB tem melhorado em rankings. Para gente, é motivo de muito orgulho”, comemora. Ela destaca que, se forem consideradas apenas as universidades federais, a Universidade de Brasília estaria entre a 6ª e a 9ª posições.

“Gostaria de registrar o meu orgulho por essa universidade, que não se curva a desafios, que trabalha para oferecer cada vez mais qualidade para a sociedade.” Entre os motivos para a melhora da universidade na lista, Denise aponta o apoio à publicação de livros e artigos. “Lançamos uma série de editais para apoiar professores. Muitas publicações de artigos não são sem ônus para o pesquisador. Publicar artigo internacionalmente pode sair muito caro. Eles agora têm esse apoio para ter seu artigo publicado sem que isso repercuta na renda”, conta.

Geralmente, as taxas são cobradas em dólar ou em euro. Os valores são pagos após o artigo ser aceito para publicação. “E, por vezes, mesmo sendo aceito, professores não conseguem dinheiro para pagar.” Denise relata que a UnB também promoveu edital para incentivar a participação de professores e técnicos em eventos nacionais e internacionais. “Isso aumenta nossa rede de contatos e facilita a publicação de trabalhos.” 

UnB atribui melhora em rankings a editais de apoio a publicação de artigos acadêmicos
UnB atribui melhora em rankings a editais de apoio a publicação de artigos acadêmicos (foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)

Contraponto sobre rankings

A decana Denise Imbroisi pondera que nenhum ranking é um retrato exato da instituição. “Metade dos nossos cursos são na área de ciências sociais aplicadas, que não é medida por artigo, mas por publicação de livro ou por jornal que não é de língua inglesa. Assim, há uma grande produção na universidade que não é nem contemplada”, esclarece. “Não é que o ranking tem um problema, é que não é desenhado para isso. A gente busca compartilhar os resultados com a sociedade, mostrando que é um paramento, que é um dado importante, mas não define a atuação da universidade”, diz.

Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB
Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB (foto: UnB/Reprodução)

“A universidade é muito mais do que o ranking, que é um recorte reduzido. A gente tem muito mais para mostrar do que isso.” Questionada sobre se os acadêmicos da UnB têm dificuldade de publicar em inglês, a professora explica que não e a universidade oferece até mesmo apoio para tradução. A questão é que, para determinadas pesquisas, o inglês não é a língua padrão. Por exemplo, estudos sobre a América Latina costumam ser publicados em espanhol. “São professores que dão uma contribuição incrível para o país e a sociedade, mas não foi capturado por esses rankings por publicar em espanhol.”

Resultado global

As universidades dos Estados Unidos dominam o topo do ranking, com oito universidades entre as 10 melhores, 41 entre as 100 melhores, 133 entre as 500 melhores e 206 entre as 1.000 melhores. A China tem 168 universidades classificadas entre as 1.000 melhores, entre as quais 81 estão no top 500 e seis estão no top 100. O Reino Unido emplacou 65 instituições de ensino entre as 1.000 classificações do ranking; dessas, 36 estão listadas no top 500 e oito estão listadas no top 100.

Mundialmente, a Universidade Harvard lidera a lista de classificação pelo 18º ano. As Universidades Stanford e de Cambridge continuam na segunda e na terceira posições, respectivamente. Em quarto lugar, ficou o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). E, em quinto, a Universidade da Califórnia em Berkeley.

Desconsiderando a Inglaterra, a Universidade Paris-Saclay (14ª) e a ETH Zurique (20ª) foram as melhores classificadas da Europa Continental. A liderança do continente asiático é da Universidade de Tóquio (26ª), seguida pela Universidade Tsinghua (29ª), localizada em Pequim, na China. A Universidade de Melbourne (35º) fica à frente das universidades da Oceania. No total, 11 universidades do continente africano aparecem na lista, todas a partir 300ª posição.

As brasileiras no ranking

Nenhuma faculdade particular do Brasil aparece na lista, que conta apenas com universidades públicas, incluindo federais e estaduais. Empatadas no mesmo intervalo nacional que a UnB estão as universidades federais de Santa Catarina (UFSC), de São Carlos (UFSCar) e a Fluminense (UFF). Também de São Paulo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ficaram empatadas entre a 2ª e a 3ª posições.

Entre a 4ª e a 6ª classificações, ficaram as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em seguida, estão as federais do Paraná (UFPR) e de São Paulo (Unifesp), no intervalo entre o 7º e o 8º lugares.

Na faixa entre a 13ª e a 17ª posições, estão as federais de Goiás (UFG), Pernambuco (UFPE), Rio Grande do Norte (UFRN), de Viçosa (UFV) e de Pelotas (UFPel). Por fim, entre a 18ª e a 22ª classificações, estão as federais de Bahia (UFBA), do Ceará (UFC), de Santa Maria (UFSM) e de Mato Grosso do Sul (UFMS), além da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Sobre o ranking

O ARWU leva em consideração um conjunto de indicadores objetivos e informações de bases de dados. Seis parâmetros são responsáveis pelas posições das universidades, incluindo número de ex-alunos e funcionários vencedores prêmios Nobel e outras premiações relevantes, o número de artigos publicados em periódicos da Nature and Science, o número de pesquisadores altamente citados e artigos indexados no Science Citation Index (Índice de Citação Expandido e de Ciências Sociais com base em dados da Web of Science) e desempenho individual.

Mais de 2 mil universidades são classificadas a cada ano e as 1 mil melhores universidades são publicadas. A ShanghaiRanking Consultancy é uma organização independente que se dedica à pesquisa em inteligência e consultoria em educação superior. É responsável pelo Academic Ranking of World Universities desde 2009.

Confira todos os resultados do ranking no link

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