VOLTA ÀS AULAS

Retomada remota da UnB é marcada por desafios, mas altas expectativas

Para decana, instituição tem enfrentado bem as dificuldades apoiando a comunidade, por exemplo, com edital de inclusão digital e treinamento de professores

Ana Paula Lisboa
postado em 17/08/2020 21:35 / atualizado em 17/08/2020 22:06
 (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)

Pela primeira vez na história, a Universidade de Brasília (UnB) retomou o calendário acadêmico de modo remoto. As aulas estavam suspensas desde março por causa da pandemia do novo coronavírus e voltaram nesta segunda-feira (17/8). Para Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB, os desafios de agora podem ser oportunidades.

“A minha expectativa para o semestre remoto é a melhor possível. Tenho muito orgulho do esforço da comunidade e dos desafios que a gente está vencendo”, diz. “A pesquisa e a extensão não foram interrompidas, o que retornou agora são as aulas. E este é um momento de vencer dificuldades. Temos que trabalhar em conjunto porque nós nunca vivemos isso”, aponta.

Preparativos e adaptações

Antes do retorno, a instituição fez uma pesquisa social para identificar as necessidades de professores, técnicos e alunos. A partir disso, promoveu um edital de inclusão digital para apoiar estudantes em vulnerabilidade social e com dificuldades de acompanhar aulas pela internet.

Para os docentes, a UnB ofereceu treinamento para que pudessem dar aulas pela internet. “A gente identificou um grupo relevante, de 30% dos professores, que precisava de apoio para formação com relação a ensino remoto. A gente fez uma série de treinamentos e cursos de capacitação nesse sentido”, relata. “Disponibilizamos também uma série de plataformas”, cita. Entre os espaços que são usados para promover a aprendizagem estão o Moodle, usado há anos pela UnB, e o Microsoft Teams, usado para conferências virtuais.

A decana Denise Imbroisi tem boa expectativa para o semestre remoto
A decana Denise Imbroisi tem boa expectativa para o semestre remoto (foto: Beto Monteiro / Secom UnB)

A pesquisa social identificou que 6% dos estudantes precisam de apoio digital seja de equipamento seja de plano de internet. “Fizemos o edital de inclusão digital. E todos que pediram auxílio estão sendo contemplados. Para participar, as pessoas precisam ter renda per capita abaixo de 1,5 salário mínimo”, observa. Segundo a decana, outros alunos que não se enquadravam nessa faixa de renda, mas tinham dificuldades de acesso digital também foram apoiados, recebendo equipamentos emprestados ou doados.

Estudantes com dificuldade até mesmo de indicar a necessidade estão sendo auxiliados pelos professores, como indígenas que estão em aldeias. “É um esforço para atender todo mundo”, garante.

Desafio é grande

“Para onde você olha tem desafio. E a UnB não recuou. Nós fomos correndo atrás e solucionando cada uma dessas dificuldades”, diz Denise. Ela destaca que a universidade tem nove cursos a distância e 138 presenciais. Então, a maioria das pessoas não estava habituada ao formato on-line e precisava ser capacitada.

Ela esclarece ainda que, no momento, a UnB não está fazendo educação a distância (EAD. “Estamos fazendo atividades remotas neste momento de pandemia, buscando reduzir o prejuízo de todos.” O momento de grande esforço, acredita ela, fará a comunidade acadêmica crescer.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação